14.6.10

Avenida

A avenida adormece primeiro que tudo, mesmo antes de um pestanejar calado, já o silêncio decalcou as arestas da noite. Nas ruas a penumbra cai indecifrável... como um fio condutor as vozes desaguam num final de dia. Já a música calou no bar, já as janelas vistas da rua são candeias quentes ao luar.
Os ventos trazem o sol e os dias e as horas...
amanhã chegará rápido, as noites são ultimamente sempre breves e brancas e o descanso não tem lugar.
Onde moro foi em tempos uma avenida de quase ninguém, estava um dia cinzento lembro bem, apenas existia a arquitectura dispersa ao longo de um trilho incógnito. Hoje é um dormitório cheio, mesmo de dia se agita imitando uma pequena cidade. O comércio brota como desejos sonhados que dificilmente vingam pela inconstância da vida. Os bares enchem no frio calor da noite, deixam um rasto de música e cheiro de cigarros fumados até à beata que queima os dedos. O mexicano na transparência das janelas coloridas, revela os sons e temperos de uma noite quente de verão.
Gosto de ir à janela, respiro o ar da noite, avistando o próximo dia, gosto de olhar o horizonte porque só bem longe se estendem os sonhos e o amanhã vem depressa.

1 comentário:

  1. os olhos são as avenidas que abrimos entre os outros e o mais fundo de nós.
    um beijinho!

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