11.5.10

teias na voz

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poderão as palavras morrer algures entre a vontade de se fazerem ouvir e a voz que teima em não lhes dar forma?...
talvez se encham de um emaranhado de teias na escuridão do silêncio... talvez um dia se tornem apenas vulto ou silhueta esquecida que se vestiu um dia de flores que dos lábios rebentaram em fio!
um dia diziam-me que não acreditavam em inspiração mas sim em trabalho... que falta de inspiração seria apenas um argumento que só aos preguiçosos diria respeito... mal estas palavras vinham a caminho do meu apurado ouvido, já eu me eriçava contra elas, e com todo o respeito por quem partilhe da mesma opinião, deixem-me ao menos gritar de saudade por dias cheios de inspiração, por lufadas desse estado quase mágico que é sentir as mãos terem vida para além da própria vida, as mãos tão rápidas quanto aquilo que se quer dizer, escrever ou expressar... as mãos mais leves que a própria voz.
ainda hoje desejei que a viagem de comboio fosse mais longa, anestesiada pela música que levo sempre comigo, quase implorei em pensamento que ninguém se apercebesse do quanto aquele momento me estava a ser tão apaziguante e o quanto precisava de mais um pouco de tempo para começar enfim o dia...

5 comentários:

  1. quando for assim, masnda-me uma mensagem telepática que eu atraso o combóio.;)
    (d)escreveste muito bem e com beleza essa sensação de adormecimento da voz interior.
    boa noite.

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  2. São tantas as vezes que as palavras se perdem, em medo, em tempo, mas continuamos, sempre!
    Ah, considera-te uma sortuda por andares de comboio, eu tenho sempre que me deslocar de automóvel!
    Beijos
    Laura

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  3. Hummm...conheço bem essas emoções!

    "poderão as palavras morrer algures entre a vontade de se fazerem ouvir e a voz que teima em não lhes dar forma?..."

    Essa não morrem, bem pelo contrário, ainda se fazem sentir mais!

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  4. andy, a viagem de comboio prossegue... a escrita flui nos carris que lhe apontam o rumo.
    um abraço!

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