25.5.10

croqui


O vento desfila sobre os carris com destino certo, e a tinta lenta sobre o papel sem destino...
a melancolia do tempo e das horas sobre os dias.
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Ia para casa dispersa em pensamentos, à minha frente um rapaz esboçava um croqui com lápis de carvão, admirei a segurança do traço e a inspiração fácil que nascia dos dedos magros numa viagem de comboio.
Fez-me lembrar a fase em que comecei a desenhar... olhar para trás no tempo pode acontecer num mero momento como este.
começar a desenhar fez parte de uma fase da vida em que o sangue corria ávido nas veias, os dias tinham todo o tempo do mundo e a voz interior era sonora e irrecusável. A necessidade de descoberta sobre o que seria, o delinear de uma vida profissional não foi fácil e muito menos pacífica. A arte era um mundo fascinante para mim, sempre foi e será. Querer dar forma a esta minha necessidade, por tudo o que se manifestasse como momentos sublimes de alma, dividia-me entre imensas coisas... o estilismo foi algo que surgiu inesperadamente e a descontracção daquela idade fez-me correr de encontro ao que mais se igualava àquilo que supostamente me faria sentir uma vida realizada.
No início nem por momentos hesitei... e croquis como estes foram nascendo e a figura humana era algo fascinante de desenhar.
Mas as certezas que o tempo traz, também na simplicidade dos dias as leva... e o que me parecia perfeito começou a trazer o sabor de um amanhã incerto e uma angústia que começava desde o nascer até o sol-pôr. Apesar do prazer que me dava, faltava uma parte emocional que me desse mais certezas de um amanhecer que queria diferente...
Na memória ficaram os momentos de aprendizagem e nos dedos uma sombra da agilidade do que já foram...
Hoje penso ainda bem que corri atrás de um sonho, apesar de não lhe ter dado continuidade, quando deixou de me fazer tanto sentido...
mas ainda hoje, se me fosse possível, haveria outras tantas artes que gostaria de explorar.

4 comentários:

  1. Atira-te de cabeça, Andy!
    acredita nos meus feelings.

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  2. "O vento desfila sobre os carris com destino certo, e a tinta lenta sobre o papel sem destino..."
    a definição rígida dos passos na vida em contraponto com a irrequietude da escrita. assim se constrói o ser humano: de in-decisões e in-definições.
    um beijinho!

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  3. Amiga, adoro a forma como partilhas a tua história de vida, SUBLIME. Obg. Beijos Gds.

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