30.5.10

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e porque não?
dançar assim sobre a festa...
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N. apenas te prometo o bolo de bolacha ...

:-)

29.5.10

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O melhor de tudo é aquela sensação, mesmo que ilusória de lentamente acordar o corpo, as palavras e o desenrolar dos gestos... ao ritmo lento de um dia sem trabalho.
Inaugurá-lo com uma torrada e até podia ter sido um chá, mas não foi e mais tarde uns ácidos frutos vermelhos... embalado ao som da sempre rádio marginal “a rádio mais perto do mar” dizem eles, seja como for, traz-me ondas de mar calmo e torna toda a casa de um azul mar que acolhe o espreguiçar do tempo.
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_ ... !
_ sim, vou já vou já!
Como disse, a calma é uma ilusão...mas deixa-me saborear na mesma! :-)
Bom fim-de-semana!

25.5.10

croqui


O vento desfila sobre os carris com destino certo, e a tinta lenta sobre o papel sem destino...
a melancolia do tempo e das horas sobre os dias.
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Ia para casa dispersa em pensamentos, à minha frente um rapaz esboçava um croqui com lápis de carvão, admirei a segurança do traço e a inspiração fácil que nascia dos dedos magros numa viagem de comboio.
Fez-me lembrar a fase em que comecei a desenhar... olhar para trás no tempo pode acontecer num mero momento como este.
começar a desenhar fez parte de uma fase da vida em que o sangue corria ávido nas veias, os dias tinham todo o tempo do mundo e a voz interior era sonora e irrecusável. A necessidade de descoberta sobre o que seria, o delinear de uma vida profissional não foi fácil e muito menos pacífica. A arte era um mundo fascinante para mim, sempre foi e será. Querer dar forma a esta minha necessidade, por tudo o que se manifestasse como momentos sublimes de alma, dividia-me entre imensas coisas... o estilismo foi algo que surgiu inesperadamente e a descontracção daquela idade fez-me correr de encontro ao que mais se igualava àquilo que supostamente me faria sentir uma vida realizada.
No início nem por momentos hesitei... e croquis como estes foram nascendo e a figura humana era algo fascinante de desenhar.
Mas as certezas que o tempo traz, também na simplicidade dos dias as leva... e o que me parecia perfeito começou a trazer o sabor de um amanhã incerto e uma angústia que começava desde o nascer até o sol-pôr. Apesar do prazer que me dava, faltava uma parte emocional que me desse mais certezas de um amanhecer que queria diferente...
Na memória ficaram os momentos de aprendizagem e nos dedos uma sombra da agilidade do que já foram...
Hoje penso ainda bem que corri atrás de um sonho, apesar de não lhe ter dado continuidade, quando deixou de me fazer tanto sentido...
mas ainda hoje, se me fosse possível, haveria outras tantas artes que gostaria de explorar.

23.5.10


Michael Bublé
flor de morango

cheiro de verão


- a noite não adormeceu lá fora, nem me adormeceu... e já se vislumbra a cor parda do dia a nascer.
O calor entra pelas janelas da casa que entreabertas trazem o cheiro do verão sobre todas as coisas, as vozes que chegam da rua, os candeeiros que testemunharam o fervilhar da noite, o respirar da casa, o silêncio...
Há um doce fresco que só as noites de verão têm... o perfume das flores, searas e árvores que derramam o néctar ao sol quente.

19.5.10

...do silêncio


Queria sentir uma ponta de vento no calor imenso que se estendeu no dia, em mim...
queria pressentir uma qualquer brisa que me afagasse os nós dos cabelos e os desfizesse como quando o vento desfaz o areal dos meus pensamentos.
Podia também esquecer o silêncio das minhas palavras, mas elas são o próprio silêncio e são elas o meu Ser em silêncio.
E apesar desse silêncio me doer e ensurdecer o corpo, aprendo a lhe ter carinho, assim como o tenho pelas flores e pelo mar que revolto me acorda da passividade dos dias.
Podia também agarrar um raio de sol e prendê-lo à pele para nunca sentir o frio... aquele frio que nasce do ar que respiro e se prolonga até os espaços vazios do corpo.
E quem sabe se conseguisse escolher um ramo de estrelas numa noite acesa de luar, seriam a minha fonte de luz e lhes prometeria o canto e embalo nem que fosse com voz de silêncio...

18.5.10


Rufus Wainwright

flores ao peito

quem não se sente perfumado de flores, ainda que apenas estampadas no tecido leve que cai sobre o peito...
o lenço florido, fez hoje toda a diferença, saiu de rompante como o dia quente que se estendeu na pele... a arder pelos poros abertos até aos sorrisos fechados que se renderam ao sol.

17.5.10

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FEIRA DE STOCKS - OUTLET / Oportunidades
... e eu a pensar que encontraria roupas giras, lenços, artesanato, brincos, fios e isto e aquilo, num ambiente daqueles que a única alternativa é nos rendermos à beleza das coisas... mas qual quê? fiquei desiludida logo pouco tempo de lá chegar! Era pouca a diversidade, nada me saltou aos olhos ou às mãos, e só me dizia nada nada nada! E não sou exigente, mas faltou um certo encanto. Verdade seja dita, não vi a feira nos dias anteriores, mas não me parece...
foi só a minha humilde opinião.
nem as farturas me adoçaram a opinião!

13.5.10


Sarah McLachlan

Prémio Dardos


Estou como que atrasada mas nunca é tarde, a querida Em@ ofereceu-me um belo selo, muito obrigada Em@!

O prémio:
"trata-se de um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc..."
Ofereço-o aos seguintes blogues e por ordem alfabética:
Beijinhos!

12.5.10

o escafandro e a borboleta




A história real de um homem que vê tudo mudar brutalmente devido a uma situação de doença. Deixa a sua vida activa como editor de uma revista de moda... e após vários dias em coma, acorda na dura realidade de apenas conseguir ver e comunicar através dos olhos. Apesar do seu corpo estar como preso de movimentos e gestos, a sua memória e imaginação são o que ainda o faz voar para além das suas limitações e manter vivo quando tantas vezes lhe seria mais fácil desistir.
Refugiando-se diariamente no terraço do hospital sonhava e sonhava, mergulhava nas memórias de criança e deu asas ao desejo de um dia escrever um livro.
O escafandro e a borboleta fala de um reaprender a viver perante uma situação esmagadora de vida.
O livro foi escrito, procurá-lo-ei... sem dúvida um testemunho de coragem.

11.5.10

teias na voz

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poderão as palavras morrer algures entre a vontade de se fazerem ouvir e a voz que teima em não lhes dar forma?...
talvez se encham de um emaranhado de teias na escuridão do silêncio... talvez um dia se tornem apenas vulto ou silhueta esquecida que se vestiu um dia de flores que dos lábios rebentaram em fio!
um dia diziam-me que não acreditavam em inspiração mas sim em trabalho... que falta de inspiração seria apenas um argumento que só aos preguiçosos diria respeito... mal estas palavras vinham a caminho do meu apurado ouvido, já eu me eriçava contra elas, e com todo o respeito por quem partilhe da mesma opinião, deixem-me ao menos gritar de saudade por dias cheios de inspiração, por lufadas desse estado quase mágico que é sentir as mãos terem vida para além da própria vida, as mãos tão rápidas quanto aquilo que se quer dizer, escrever ou expressar... as mãos mais leves que a própria voz.
ainda hoje desejei que a viagem de comboio fosse mais longa, anestesiada pela música que levo sempre comigo, quase implorei em pensamento que ninguém se apercebesse do quanto aquele momento me estava a ser tão apaziguante e o quanto precisava de mais um pouco de tempo para começar enfim o dia...

5.5.10

dos dias...

Engraçado... o dia revelou-se mais fácil do que parecia pressentir... ignorei o temor que nasce quase ao mesmo tempo que o sol e em vez de me arrastar a seus pés, deixei-o abandonado algures entre as esquinas do dia.
O céu esteve imenso, assim como o vento frio... da janela até me aqueci olhando o brilho que o sol deixa em todas as coisas, mas na rua, confesso, senti o frio como uma grandeza que me fez sentir tão pequena...
No trabalho limpámos arduamente um quadro de registos que quase mais parecia inutilizado, difícil contar aquele momento de quase catarse, em que mãos e braços quando se destinam a consertar, tornar mais belo, lavar de tudo o que passou e receber o que há-de vir, tornam-se ágeis e fortes, o pensamento divaga ao compasso da concretização do que se pretende e libertamo-nos de pesos e amarras nestes momentos e todas as palavras surgem livremente num desafio hilariante que nos faz rir grandemente.
Trouxe esse sorriso pelo caminho e a sensação é reconfortante quando temos esse brilho no canto dos lábios.
Inquieta-me não conseguir escrever, como se parte de mim parasse de sentir ou falar... e quanto mais calamos menos conseguimos falar.
Em casa, enchi a fruteira de cores vermelhas e amarelas que revestem frutos ansiosamente doces... a fruteira é o coração e pulmões da cozinha preciso senti-la composta.
Bebi dos sorrisos dos filhos e das suas mãos suaves e carinhosas e o dia nunca tem fim...