7.4.10


Cat Power

Acendo a vela sobre a noite que descansa...talvez a cera que escorre, seja o quente que falta ao frio papel onde hoje as palavras não se espreguiçam.
Nem a janela com a pintura do candeeiro, nem a árvore que oferece ao vento seus soltos ramos se esgueiram esta noite sobre as palavras...
Teimosos vocábulos fogem pela linha do ombro e nem um olhar de brisa os segura na madeixa solta do cabelo.
A sombra do vento que no rosto ficou, deixou as cores do silêncio...

3 comentários:

  1. Por mais que as palavras se espreguicem, por mais que as palavras se esgueirem por entre os dedos verdes, por mais que a linha do ombro as esconda, permanecem sempre as cores de silêncio... vozeadas!
    Belo texto, Andy! Música fantástica! (The Greatest é, para mim, um obra-prima!).

    Beijinho!

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  2. Há dias assim em que as palavras não saiem...preferem ficar dentro de nós. Contudo, o desabafo é maravilhoso, iluminado pela luz ténue da vela, tornou-o ainda mais grandioso...
    Beijos
    Graça

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  3. Andy:
    Apesar de ter gostado muiiiiiiiito, assopro-te daqui um recado:
    roda ligeiramente o ombro.
    assim.
    inclina a cabeça e deixa orelha aflorar a linha de contorno onde descansam os cabelos.
    ouves, agora, as palavras que escorregam por eles?
    são ecos das conversas dos seres que habitam os teus sonhos.se quiseres podes canalizá-las para nós.

    beijinho

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neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e...