29.4.10

camélia na mão

...que sensação de dia conseguido quando saí do trabalho, talvez pelo imenso céu azul e calor ameno que me abraçou calmamente, sorri sozinha em plena rua mordi o lábio para controlar o riso solto...
A dona L. chegou frágil, não sei se me reconheceu no meio do seu olhar terno e perdido. Tentei que me ouvisse num esforço de voz rouca... como a garganta se enche de pó talvez das palavras paradas ou que ficam por dizer.
Perfume de flores brancas segui por um novo caminho à espera de encontrá-las mas nem vestígios... mudaria talvez aqueles arbustos monótonos por camélias brancas a acenar ao vento.

vento

.
Selvagem é o vento quando nas filadeiras mais estreitas dos campos nus se enfurece... assobio de rouca voz, voa no tempo e como num sopro traz-me a brisa que pressentiste quando o ar se respirava leve e doce.

28.4.10

Blog coroado

A Em@ que como todos sabem tem um blog repleto de pinturas lindas e muito mais!...ofereceu-me este selo muito bonito e original! Obg Em@!
As regras são:
- exibir a imagem do selo
- escrever de quem ganhou e colocar o link da pessoa
- escolher outros 10 blogs para serem coroados

Eu acho estes selos um mimo, são engraçados e acabam por ser uma forma de agradecimento... aproveito já agora esta oportunidade e porque às vezes nestas coisas confesso, sou um bocado "fura-leis" (se não o fôr aqui, onde serei?)... por isso quero oferecer este selo a todos aqueles que visitam o LUA, agradecendo as palavras que aqui deixam e que tanto estimo... e já agora desculpar-me por tantas vezes não vos acolher da forma que mais gostaria, mas a verdade é que falta-me tempo e tempo e tempo! :-)

assim como gostaria de vos ler e comentar mais vezes mas nem sempre me é possível e por isso vou conforme as minhas possibilidades escrevendo e lendo-vos!

Em@ desculpa a infracção para a próxima prometo comportar-me dentro das regras, bjinhos!

25.4.10

Feliz Dia da Liberdade!

25 de Abril de 1974
Duzentos capitães! Não os das caravelas,
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira!
(Ó esfera armilar.
Que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora...
Duzentos capitães destes de agora,
(Pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços
(Milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça,
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d'ignomínia...
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!

10 de Junho de 1975 (antigamente Dia da Raça).
Joaquim Paço D'Arcos

siesta

Todas as noites de sábado são bafejadas com os sons mexicanos que chegam timidamente do restaurante Siesta aqui mesmo em baixo nas arcadas... ainda que ao longe, sente-se perfeitamente o ritmo abafado por paredes.
As cores terra e laranja do Siesta apelam à alegria, ao quente e desgarrado sol, à comida picante e às margueritas com sal onde os lábios tocam o início do elegante copo. Os chapéus de aba larga e as capas multicolores enfeitam os cantores de longos cabelos pretos e pele morena que vivem de sol.
Ai é bom ouvi-los mesmo não estando lá... e não tivesse eu uma gata particularmente stressada a morar na minha varanda, sentar-me-ia por momentos no cadeirão a desfrutar do som, com o luar a beijar as mãos, imaginando-me num ambiente mexicano, a esfumaçar tabaco se fumasse e a dançar de saia comprida e descalça se lhes soubesse os passos...
A música parou... a noite adormeceu as paredes e as crianças, e os meus pensamentos querem o abrigo do silêncio do quarto...
Uma marguerita sem sal, por favor!

24.4.10


Um sonho possível; De: John Lee Hancock; Com: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron

A força do amor... gostei muito!

23.4.10

traços em flecha

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traços soltos no papel
dos dedos magros nascem
nas flores das águas paradas se agitam
no ardor da mão fechada
se desprendem em grito
flecha veloz
desmancha as palavras
que moram no vento...

20.4.10

conversas à mão de semear

saí hoje do comboio mais uma vez debaixo de chuva e sem qualquer tipo de dúvida, caminhei tentando saborear as gotas refrescantes e felizmente leves... quase carregava o mundo nos ombros e não havia hipótese para qualquer tipo de guarda-chuva.
absorvida pela música, à chuva e atolada, lá ia eu em mais um regresso a casa, passei pelo homem da estação que vende coisas habitualmente estranhas...como morangos no inverno e mantas no verão.
subi a escadaria provisória e cansativa, não há meio de acabarem as obras apesar de trabalharem de sol a chuva... no fim e ao cimo das escadas, uma mulher de saia imensa e vermelha dava cor ao cinzento dia que desaguava num cansaço imenso.
... e aqui estou eu a repetir o meu dia nas imagens que me assaltam e nas palavras que já me disse... faz-me lembrar uma vizinha que tive na adolescência, muito boa senhora com uma caracterísitica curiosa no seu discurso, repetia sempre mas sempre, as últimas duas palavras de uma frase, nunca percebi se o fazia para se assegurar do que dizia ou se para ter a certeza que a ouvíamos, mais tarde descobri que seria talvez uma espécie de ecolalia que a senhora teria.
isto para dizer que escrever faz-me lembrar um eco sobre todas as coisas...assim como todas as coisas têm uma razão para nos fazer maior ou menor sentido. há uma doente difícil ou muito difícil digo, que apesar de tudo me faz rir perdidamente no meio da nossa conversa, toda a revolta que traz com a vida, nas palavras que nos quer ferir... desenrolando dissabores e colhendo algumas flores que se escondem num ar rezingão são momentos únicos que jamais se esquece no fim de um dia.

15.4.10

balada


corpo cansado, que dançarias tu hoje?
talvez o murmurar de uma balada...
uma balada solta ao vento?
uma melodia presa à pele
com o tanto que um dia já foste?
dançaria com o que ainda sou.
os passos seguem a música?
eles continuam a viver de música...

13.4.10


O reflexo do dia ultrapassa a rua em movimento, as cores esbatidas assombram a melancolia que se esgueira pelo bolso esquerdo da pele e até lhe posso dar ouvidos mas prefiro a música que não deixa de fazer pulsar o cerne de todas as coisas...
Sobre carris corre o tempo e nem bandeira vermelha ao vento o faz parar.
Acalmo a sensação da chuva que cai fria e sem piedade... até se podem rir as nuvens sarnentas que de mim nem um pequeno brilho ao canto dos lábios por terem roubado o lugar ao sol.

12.4.10


Amy Macdonald

...a MELODIA desta música faz-me ter vontade de conduzir por aí fora :-)

7.4.10


Cat Power

Acendo a vela sobre a noite que descansa...talvez a cera que escorre, seja o quente que falta ao frio papel onde hoje as palavras não se espreguiçam.
Nem a janela com a pintura do candeeiro, nem a árvore que oferece ao vento seus soltos ramos se esgueiram esta noite sobre as palavras...
Teimosos vocábulos fogem pela linha do ombro e nem um olhar de brisa os segura na madeixa solta do cabelo.
A sombra do vento que no rosto ficou, deixou as cores do silêncio...

6.4.10

.
Reconhecida a chegada da primavera, não a anunciada no calendário mas hoje assim senti o sol quente o suficiente junto da pele para dizer que os ossos agradecem esse quente bálsamo que nos agita os sentidos e humedece os olhos de alegria... breve foi esta sensação embora esmifrada até à última possibilidade do último raio de sol.
Recordei a sombra quente da árvore, o doce entardecer...até pensei, em breve estarei a saborear ramos de cerejas completamente doces na cor e sabor e como isso me fará feliz.
Os lenços floridos ao pescoço, os bolsos cheios de pétalas, os decotes que de perfume não lhes falta e um contentamento no sorriso das pessoas...

4.4.10

silêncios da noite

O silêncio começa sempre de fora para dentro todas as noites... só quando as ruas se calam e a noite se deita sobre o silêncio, a casa estreita as paredes na penumbra das palavras que me acercam à luz da lua.
E se em criança a noite era assombrada de mil medos, hoje faz nascer dos medos palavras...
Vivia numa casa com o quintal à beira de uma estrada sinuosa que subia até ao horizonte e se perdia nas montanhas mais frias. No silêncio da noite pressentia as ruas e as montanhas mortas de escuro e para sobreviver todas as noites, fixava-me aos sons raros dessa estrada.
Fazia-me bem, sentir que existia alguém tão acordado quanto eu e que seguia viagem, rumo a um destino qualquer... a um brilho no escuro, a uns braços abertos ou apenas a uma casa quente e iluminada.
Ainda hoje saboreio o que a toda a gente incomoda, os sons da noite por ínfimos que sejam ... a música do bar que chega em surdina, faz-me dançar a alma... as raras vozes que passam fazem-me lembrar a noite à beira mar com candeeiros de luz amarela como o sol, deixando rasto nos barcos que encostam à marina e nos olhos luzes das pessoas que sorriem de dentro para fora.
Juro-vos, não me importava de ouvir pássaros cantantes ou coisas do dia a embalar a noite.

Boa Páscoa

Oxalá ainda vá a tempo de desejar a Todos os amigos e visitantes desta LUA, uma Páscoa muito doce e cheia de paz!

1.4.10

um pouco de céu



fotografias de Andy
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"não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu"

Mafalda Veiga
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Que os céus sejam sempre o refúgio de um qualquer pensamento... nos imensos planaltos de nuvens se venha a descobrir as flores das mãos que se entregam.