4.3.10

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Ontem já senti um pormenor e outro de Primavera balbuciado num sorriso de céu...apesar disso alguém dizia “o dia está triste como a noite”...
parei os olhos num pássaro que rondava a casa antiga à beira de estrada com uma capela ao lado... não conseguia perder de vista as asas soltas beijadas pelo rasgo de céu que iluminava a humidade dos olhos ...
Sentia as pernas cansadas assim como hoje... aquele momento aliviara-me o peso que às vezes se apodera dos ombros das pessoas e as faz andar de olhos postos no chão, num desacordar de dia, presas ao escuro frio da noite... é verdade, às vezes falta-nos o chão e se calhar com medo de até isso perder, o olhar devora-o...
À porta da casa antiga, estava um homem de pouca idade, de olhos fixos na porta de madeira, desesperava pelo momento em que esta se abrisse...quase se sentia o nervosismo que minava os gestos e afogava a voz... se perto estivesse até talvez lhe ouvisse o coração...
Fechei a porta deste momento e fui trabalhar... o dia passou apressado num toque de mão em mão, de histórias de vida, de olhares frágeis e peles gastas pelo embate do tempo que o tempo não pára...
as pernas resistiram e as mãos também, quando saí, olhei a porta e lembrei-me do homem... tomara que a porta se tivesse aberto...

3 comentários:

  1. de pormenor em pormenor, vamos construindo a essência das coisas.
    Belo texto, querida Amiga!
    Beijinho!

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  2. A vida é feita de pequenas e simples coisas!
    Mas que juntas fazem valer a pena viver!

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  3. Que as pernas hoje estejam mais leves e as mãos te continuem doces.
    O tempo permanece feio, por aqui, mas tenho a certeza de que a Primavera está ali ao virar da esquina.
    Bonito o que escreveste.Gostei.
    Beijo

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neblina

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