8.3.10

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O tempo não espera...
quantas vezes pareço correr atrás das horas desenfreadas de um tempo, em vez de conseguir acompanhá-lo serenamente...
Fico cansada...
Dêem-me um minuto!
Parem os relógios se assim for preciso...que o corpo não alcança aquilo que a voz quer dizer.
E se já corro com os pés abertos e dilacerados! Ainda assim nem a mão agarra os segundos que se desfazem como areia ao vento...
Silêncio por favor....
Na memória dos olhos, soltam-se bolas de sabão... transparentes, coloridas e perfumadas, nasciam num sopro curioso... tão leves e serenos eram esses momentos...
Só um tempo mais...
Passamos a vida a contar os segundos para que no meio de tudo haja tempo para ter tempo...
Os dias fogem e as mãos ficam vazias ou cheias...
Lembro-me das mãos cheias da minha avó... tudo abraçava e a tudo chegava... até quando bordava a fios de cores ou simples tentava deslindar os mistérios e tonalidades da vida, linhas soltas ou emaranhadas, relevos de flores das flores da vida... suspiros de incertezas em cada ponto que no tecido a agulha se descobria... eu contemplava a serenidade com que a seu tempo surgiam sombras e desenhos de uma história declamada em silêncio.
Tentei me aproximar de tamanha sensação de graça enquanto decalcava traços a carvão numa folha branca, traços sem forma ou afigurando um estado de alma, traços leves ou fortes...
Na verdade passo o tempo a tentar através das mãos encontrar um ponto de entendimento com a vida... as mãos que criam, tocam, escrevem, sonham, amparam, largam...
entre o tempo que deixei e o que anseio acompanhar ...

4 comentários:

  1. A vida hoje em dia é uma correria!
    Temos que andar ao ritmo da vida...e que ritmo!

    Feliz Dia da Mulher!

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  2. O tempo... senhor e suserano... déspota sem lei...
    E que "entre o tempo que deixei e o que anseio acompanhar..." tenha capacidade de ser eu.
    Beijinho!

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  3. beijinho, Andy e desejo que por algum tempo sejas senhora do teu tempo.

    e deixa-me dizer que gostei mt do teu texto.profundo para além do óbvio.

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