30.3.10

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basta estar atenta e na rua tanto me prende os olhos, quase que a retina se solta num pensamento a voar e se prende às imagens de uma rua fria e ausente, com uma caminhada de destino certo... a melancolia do fim de dia faz-me parar nas pessoas.
o homem que dorme sobre a vida, encostado ao desajeitado banco traz consigo um violão com que certamente se perde em melodias e sem o qual jamais teria vontade de acordar todos os dias.
a criança de sorriso rosa, mãos delicadas e dançantes como o seu vestido de roda...
a mulher com olhos de vento e lábios serenos perde a memória do horizonte longínquo, para não cair no fim do dia, prende as mãos uma à outra...de dia sussurra palavras ao ouvido dos mais velhos e de noite canta para embalar as crianças.
as árvores cheiram melhor que nunca e talvez colham da terra o que da Primavera há-de vir.
a mulher que borda linhas e flores num pano sem nome, as mãos não tremem, nem hesitam nos pontos e nós que pode dar.
o homem que se perde no andar de uma mulher que passa.
as nuvens que insistem, as músicas que continuam a tocar...

2 comentários:

  1. como sempre poético e ...profundo.
    (agora só para nos rirmos um nico o "homem perde o olhar onde??? ainda um dia talvez haja oportunidade de te contar uma observação dos meu filho quando tinha 3/4 anos.
    besito

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  2. pois...
    sim temos que nos rir! nada como uma boa gargalhada e tudo parece mais leve...
    fiquei curiosa!
    fico à espera dessa possibilidade :)

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