23.2.10

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Talvez que as gaivotas em terra bramindo já não tenham o mesmo doce voar... e o céu outrora de silêncio, grite agora para sempre a memória de nuvens que de tão negras... fosse permitido perguntar com os lábios da inocência... porquê? fosse fácil perceber a água devoradora em seus sinais vis... saberia aos olhos da distância, estender a mão em forma de alento a um céu perdido, a um sopro de desalento... saberia engolir a fúria num desespero que da água me lembro... só me resta acreditar que tudo voltará a tocar ao de leve as asas de luz e em tom perdido de saudade, contemplar as memórias que em luas brancas me cercam, nos lábios as flores em manhã de orvalho, nos olhos a terra sedenta de vida, nas mãos o mar azul que na pele deixou o sal...

2 comentários:

  1. Que medo nos persegue tão violentamente, obrigando-nos a exigir de tudo uma certeza?
    As possibilidaes, as dúvidas, as probabilidades, margens de segurança e erro, acertos e falhas... e aí esbanjamos os nossos dias, o nosso tempo. E o momento passa.
    O pulsar da vida voltará a ser normal porque, a natureza tem o seu próprio ciclo e nós também.É só uma questão de esperar.
    Gostei do que escreveste...com alma...com sentimento...Lindo de se ler, como sempre!
    Beijo
    Graça

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  2. Nós somos amigas poderosas (lembras-te?) e temos o poder da regeneração como as estrelas-do-mar ou as lagartixas...Acredita em mim, leva o seu tempo, mas haverá um renascimento.
    Carpe diem.
    Beijo

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