1.2.10

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Ao fim da tarde a cirandar à volta de retalhos e capítulos de vida, encontrei o meu Diário, aquele onde escrevia quando tinha os meus dezasseis anos... tenho sempre a mesma reacção quando o revejo... de surpresa e entusiasmo como se estivesse a olhar para um pequeno tesouro... depois volto involuntariamente a perdê-lo de vista por um tempo, talvez para ser sempre algo especial, desfolhá-lo...
Há sempre um mistério a desvendar com qualquer Diário... a chave pequenina tem um grande simbolismo e naquela altura mais ainda, tinha uma magia única...
Os Diários têm quase sempre um diálogo inquietante com "ele-diário", que personifica algumas vezes uma pessoa que realmente nos ouve e compreende... é curioso a proximidade que se estabelece com folhas vazias que nos chamam à razão, que nos dão alento e até coragem para dias que se prevêem difíceis... e que até nos fazem confessar tudo até ao mais ínfimo pormenor.
É quase inevitável olhar para o que escrevia com a sobrancelha torcida e um sorriso a despontar em pura gargalhada!
Não resisto deixar aqui um bocadinho deste pequeno Diário...
divirtam-se também...
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Começa a noite...
É quase sempre tão vazia!
É aquilo a que se pode chamar... o nada.
E o nada assusta...
Mas se eu quiser este nada pode ser tudo!
Vagueio em sonhos ...
Transformo o nada, no todo mais belo que já alguma vez vivi!
É apaixonante!
Vejo uma extensa planície verde que parece nunca mais ter fim.
Neste verde florescem flores brancas.
Deito-me...
Todo o meu corpo é aquecido por belos raios de sol.
Há música no meu coração.
Os meus olhos sorriem como nunca!
Aqui nada, nem ninguém me poderá tirar toda esta loucura!

4 comentários:

  1. Isto é quase um exercício de meditação, Andy:
    E que bela música tens hoje aqui de fundo...Adoro a Janis Joplin!
    Ora aqui está uma coisa que me podes ensinar...Pôr música de fundo no blogue :)))
    Passa pelo Em@ que tens lá something very, very special.

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  2. Curiosamente nunca tive diário... Apesar de o essencial ser tantas vezes inaudível e passe imperceptível aos ouvidos, a verdade é que sempre procurei eco nos diários de carne e sangue. Hoje, não prescindo dos suspiros escritos e dos partilhados.

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  3. A música da Janis Joplin é uma maravilha. É ela que canta"Oh Lord, don't you buy me a Mercedes Benz?" Penso que sim, também é muito bonita.
    Bjs

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  4. maria eduarda,
    é ela mesmo que canta "Mercedes Benz", sem música, apenas a voz dela, adoro. "Summertime" também é inesquecível! Acho que adoro todas!
    Bjinho!

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