6.12.09

daquele relógio

Era um relógio de parede em madeira escura com linhas grotescas... a cada hora que passava o som ressoava pela casa...
mais forte pareciam os segundos que marcavam os compassos do dia e das noites intermináveis... pareciam passos escondidos que a qualquer momento podiam trocar aquele silêncio agonizante por gritos de susto...
mesmo no meio da casa de onde ramificavam todas as outras divisões ...lá estava na sua linguagem monótona em promessas de futuro.
Ao cimo das escadas, na sala das cadeiras de veludo carmim viviam quadros nas paredes esventradas pelo tempo, seguravam pinturas esculpidas em sonhos descansados e telas bordadas com mulheres de olhos grandes e cabelos longos... nem o veludo abafava o som misterioso do relógio... no centro da casa a cada hora que passava por entre os silêncios murmurados.
A sala de costura, espaço mais cheio de vida não existia em toda a casa... mãos ágeis e sabedoras de mulheres que organizavam peças de tecido em torno de cada história vivenciada até àquele dia, silenciosamente cantando para si mesmas, os acontecimentos marcados pelo tempo... numa comunhão de gestos que as mantinham unidas não pelos sonhos mas pela árdua tarefa. Os bordados no tecido fino, tomavam forma de flores, parecendo pequenos diamantes que nasciam das mãos cansadas. A máquina de costura calava o som do relógio...

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