27.12.09

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Antes mesmo de me dar conta que o dia entrava pelas janela... já o corpo me doía ao mais pequeno movimento... e o pensamento dizia ao corpo, “que raio de genética herdaste tu?...as inconstâncias físicas...”
Esta manhã teria agradecido o silêncio do corpo, que em vez disso apelativo esbracejava por mais descanso...no entanto e já tendo visto a cor cinza do dia, não resisti saborear uma rara e temporária tranquilidade que sentia na casa. Levantei-me primeiro que todos, levei comigo o papel e o lápis para fazer voar o pensamento e sentir as dores resumirem-se a pó... liguei na rádio Marginal onde passam músicas que têm o ritmo do meu acordar e a languidez do meu entardecer...
A azáfama das reuniões familiares continuam... e hoje aqui, amanhã ali, à tarde acolá...
as refeições com muita família... têm o sabor espontâneo de conversas em tons de desabafo, de gargalhadas adiadas, de críticas construtivas ou não,... de falares que surgem entre o deleite dos sabores, entre o doce e o salgado ou até mesmo o apimentado das emoções...ás vezes acredito mesmo, que o acto de comer e saborear põe a nu o que nem sempre se diz...
Quanto a mim desejo vorazmente que se acabe já com as iguarias porque como sempre o meu pensamento não tem poder absolutamente nenhum e o corpo rende-se totalmente aos sabores...
Vejo a casa mais cheia de coisas, sinto uma necessidade enorme de com os meus braços e coração arranjá-la com a máxima rapidez...mas não consigo. Até o arrumar da casa tem de me surgir como uma inspiração, se assim não for,não terá o mesmo efeito dentro e fora de mim...
As coisas quando acontecem e nascem no acorde do coração têm uma melodia mais cristalina e fiel a nós mesmos...

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