31.12.09

"A Lua nasceu faz um ano"

E foi com esta música “what a feeling” do filme Flash Dance... faz hoje um ano, na noite de passagem de ano que nasceu esta minha “Lua”... (obg Lita por teres partilhado comigo esse momento)
Um ano é qualquer coisa! :)...ou pelo menos fica a sensação de que consegui levar a cabo um objectivo, se assim se poderá chamar...
...e como dizia quando me despedi do blog “circum-viagem”, quando falava do mundo dos blogs...achei curioso a possibilidade de escrever o que se calhar não conseguia traduzir e manifestar na rotina diária e louca que nos preenche até há mais ínfima célula, esgotando por vezes a necessidade vital de nos escutarmos...funcionando quase como um espelho porque nos vemos retratados muitas vezes em palavras, imagens ou sons...e como espelho que seja, é uma forma de nos ouvirmos e de nos fazermos ouvir... como seres humanos temos igualmente necessidade de partilhar, ainda que essa partilha sejam apenas emoções.
E foi assim que iniciei a minha viagem lunar, sem pretensões de saber escrever, apenas com as emoções e as memórias a guiarem as palavras que nascem num papel ávido de cor e vida...
E mais um ano acaba... a necessidade de renovação, de começar de novo é algo que nos está quase intrínseco... uma “limpeza” do ano que passou é uma coisa que quase sempre sinto como importante... consequentemente faço pequenas arrumações, rasgo papéis, limpo aqui, mudo ali...como se também organizasse o meu interior que se prepara para mais um ano. Desejos são sempre formulados...eu este ano, perdoem-me a falta de originalidade mas peço apenas um grande desejo, Saúde, julgo que atrás desse virá tudo por arrasto com a mesma intensidade e o mesmo fulgor...
Sem demoras porque a família espera-me, não com fatos de gala ou muito glamour (quem sabe para o ano) :) mas com o calor da lareira e o conforto do lar ...
Só me resta agradecer a todos aqueles que me lêem e que me aturam nos piores e melhores momentos... e a todo o mundo desejar ainda um Ano 2010 com tudo o que desejarem e assim sentirem ...
Não se esqueçam das passas, do champagne, do bom-humor, dos sorrisos e claro de um docinho aqui e outro ali...( doces!...o meu doce pecado :))

29.12.09



"Depois da Trovoada"

Autor: Carlos Reis (1863-1940)

Ano:1891

Tipo: óleo sobre tela

Dimensões: 98x146,5cm

Pintor português nascido em 1863, em Torres Novas, e falecido em 1940, em Coimbra. Foi professor de pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa, e foi por sua influência que se fundou a Sociedade Nacional de Belas Artes. Pintou numerosos quadros, alguns de grandes dimensões, como os painéis decorativos da Sala de Baile do Hotel do Buçaco e um retrato de D. Carlos, que se encontra no paço de Vila Viçosa. Outra obra de relevo encontra-se na Sala do Senado do Palácio de S. Bento.



28.12.09

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...em dias de vento e chuva como estes deparo-me com uma realidade que verdadeiramente me enerva ... pois a verdade é que no meio de casacos, casaquinhos, camisolas, chapéu de chuva, mala, malinha, saco...e que mais, nem sei... prendem-me os movimentos e estrafegam o respirar...
Como se não bastasse a necessidade de usar roupas mais quentes, sentindo-me com camadas e num verdadeiro colete de forças...ainda há os acessórios, o chapéu de chuva que ás vezes não serve de nada, devido ao vento que o empurra e o vira do avesso, fazendo-nos sentir numa verdadeira luta contra o impossível...a mala que apesar de nova e linda, é enorme e escorrega pelo ombro constantemente devido ao casacão (foram nada mais nada menos que sete vezes que tive de a reposicionar no ombro)... e faltam mãos, faltam mãos e paciência para andar na rua apetrechada desta forma...é extenuante, isto já para não falar dos phones que se saírem do lugar ou se quiser mudar de musica, tenho de largar parte da "mercadoria" para realizar uma tão simples acção como esta... e o cabelo! Esse vê-se aflito e desconsertado à frente dos meus olhos mas não há nada a fazer... a adaptação à mala nova foi hoje uma experiência incontável, só vendo...já nem a olho com bons olhos...
E aliás, é impossível apreciar o que nos rodeia com uma atmosfera assim, venham os dias de Primavera que ainda demoram uma eternidade a chegar...

27.12.09

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Antes mesmo de me dar conta que o dia entrava pelas janela... já o corpo me doía ao mais pequeno movimento... e o pensamento dizia ao corpo, “que raio de genética herdaste tu?...as inconstâncias físicas...”
Esta manhã teria agradecido o silêncio do corpo, que em vez disso apelativo esbracejava por mais descanso...no entanto e já tendo visto a cor cinza do dia, não resisti saborear uma rara e temporária tranquilidade que sentia na casa. Levantei-me primeiro que todos, levei comigo o papel e o lápis para fazer voar o pensamento e sentir as dores resumirem-se a pó... liguei na rádio Marginal onde passam músicas que têm o ritmo do meu acordar e a languidez do meu entardecer...
A azáfama das reuniões familiares continuam... e hoje aqui, amanhã ali, à tarde acolá...
as refeições com muita família... têm o sabor espontâneo de conversas em tons de desabafo, de gargalhadas adiadas, de críticas construtivas ou não,... de falares que surgem entre o deleite dos sabores, entre o doce e o salgado ou até mesmo o apimentado das emoções...ás vezes acredito mesmo, que o acto de comer e saborear põe a nu o que nem sempre se diz...
Quanto a mim desejo vorazmente que se acabe já com as iguarias porque como sempre o meu pensamento não tem poder absolutamente nenhum e o corpo rende-se totalmente aos sabores...
Vejo a casa mais cheia de coisas, sinto uma necessidade enorme de com os meus braços e coração arranjá-la com a máxima rapidez...mas não consigo. Até o arrumar da casa tem de me surgir como uma inspiração, se assim não for,não terá o mesmo efeito dentro e fora de mim...
As coisas quando acontecem e nascem no acorde do coração têm uma melodia mais cristalina e fiel a nós mesmos...

Tim Ries ft Ana Moura

25.12.09

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Hoje ao entardecer os mais pequenos cantavam com o CD do Batatoon, a minha preferida foi:

Há um mundo de sonhos
Onde reina a esperança
Onde a fantasia pode acontecer
E quem entrar nesse mundo
Vai ser sempre criança
E ser feliz sem medo de viver

Vem correr pular
Vem, vamos brincar
Vem comigo entrar nesta dança
Vem correr pular
Vem, vamos brincar
A voar, ar ar


Há um mundo magia
Onde tudo é alegria
Onde toda a gente vive a sorrir
E nesse mundo encantado
O que estiver desbotado
Eu vou ensinar-te a colorir

Vem correr pular
...


Abre as asas do teu coração
Ser criança é muito natural
Vem entrar num mundo de ilusão
Até o sonho se tornar real
Vem comigo eu quero-te mostrar
Que a vida é como um carrossel
Ser criança é acreditar
Que viver é doce como o mel

Por isso, abre os olhos
Dá-me o braço, vamos por aí
Despertar essa criança que há em ti
Abre as asas do teu coração
.........

23.12.09

Não sei na verdade se faz sentido o que se segue... mas um dia destes, enquanto via uma ínfima parte de um filme de Natal...sem me aperceber exactamente do enredo na perfeição... retive que eram pessoas adultas a receber um presente que em crianças tinham desejado muito...ao desembrulharem os presentes as pessoas deparavam-se com um sentimento enorme de felicidade, os olhos espelhavam o brilho de uma memória que ainda lhes fazia maravilhar pela simplicidade de um pequeno brinquedo...
Isto fez-me lembrar algo sem importância nenhuma...
Um Natal em que já não acreditava nos mistérios escondidos... mas dei-me ao luxo como todas as crianças de me demorar a explicar a boneca especial que queria...e nem por isso as bonecas já me faziam muito sentido mas por aquelas e sobretudo por aquela boneca de pano tinha tido um amor à primeira vista quando a vi na montra da loja e uma vontade enorme de lhe pegar e abraçar...de facto ainda hoje as bonecas de pano me prendem o olhar...
Apesar da exaustiva e detalhada explicação de onde morava a boneca, a loja, a prateleira, a contar da direita para a esquerda seria a quarta, a cor do cabelo, o vestido, enfim...
Ao ver o embrulho que o meu pai orgulhosamente estendia percebi que não era a boneca pequena e fofinha que tanto queria...era uma caixa grande que guardava uma boneca de borracha, talvez linda mas os meus olhos ainda estavam presos à pequena e simples boneca de pano...
Sem importância nenhuma como dizia e nem por sombras com qualquer tipo de trauma obviamente...
apenas recordando a criança que habita em nós, que se deslumbra, que sonha...
(porque o Natal também nos traz essa magia).

doce respirar

O som colorido do compasso das ruas fazem luz no coração da cidade.
Iluminada, num abafo sublime de frio constante... onde as árvores prometem ao vento o seu doce balançar, onde o vento promete à noite a brisa que o dia levou...
E nos passos rápidos das gentes há um tactear de esperança, de almas eloquentes, de mãos ardentes, de sorrisos prontos a esboçar a flor mais tímida de uma manhã de orvalho.
Ai como é doce este respirar! ... faz-me lembrar ser criança... correr para onde a alegria nos move o olhar, criar na infinita inocência do sentir, ser puramente Presente sem medo de perder o Amanhã ...
Faz-me rir, faz-me chorar, dançar... sonhar.
As vozes em hinos de glória entoam clamores... evocam o nascer, o crer e o infinito amor...
As mãos desenham traços de preces, gestos de calor... as lágrimas têm um doce sabor que pede aconchego ...
Não há cantares que se percam, não há gritos mudos que se deixem de ouvir... há um respirar pleno de emoção.
Os candeeiros da rua parecem mais lustrosos que nunca e as névoas de frio um conforto sereno que embala com a cantante chuva acariciando os corações mais tristes...

21.12.09

Desafio

É Natal por isso ninguém leva a mal...
O blog Terras de Algodão lançou este desafio que consta do seguinte:

cada bloguista participante terá de enunciar 5 manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem dos comuns mortais,... além disso terá de passar o desafio a outros 5 bloguistas deixando aviso prévio nos seus blogues.

Bem... juro que tentei vasculhar no baú das manias ou hábitos que me distinguissem dos comuns mortais mas a verdade é que não encontrei nada de extraordinário, ainda assim aqui ficam...

Tenho a mania de:
  • usar phones para todo o lado que vá... estou sempre agarrada à música, no comboio, nas lojas, na rua...se me cumprimentam se calhar passo por antipática porque estou completamente absorvida pelas músicas
  • pensar de mais nas coisas
  • misturar sabores... doce e salgado em fracções de segundos
  • cantar no carro
  • tomar duche com água a ferver

Blogues a que lanço o mesmo desafio:

17.12.09

...tanto frio

As minhas mãos não partilham da ideia que o frio conserva...mais parecem mapas de linhas decalcadas pelo vento frio...
e não tivesse eu na memória do corpo, um clima temperado, até poderia achar engraçado estar o dia a tiritar de frio, mas não...
nem as camadas de roupa são o suficiente, nem os caloríficos, nem as bebidas quentes...
o corpo ressente-se e quase pede aconchego permanente entre édredons e mantas quentes.
As árvores da avenida onde moro estão nuas de luz, se estivessem iluminadas poderiam aquecer um pouco mais quando olhasse pela janela ...
o frio bate nas vidraças e sem pedir, entra de mansinho, a lembrar que o melhor mesmo, seria não sair de casa...
mas a azáfama continua e ainda bem... e mesmo para ir aos ensaios à noite tenho que me mentalizar previamente para enfrentar esse...tanto frio que sinto.

14.12.09

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Gary Benfield
Gary Benfield nasceu a 6 de Dezembro de 1965 em Birmingham, Inglaterra.
Estudou arte em Stourbridge College of Art (1982-1984)
e em Wrexham College of Art (1984-1986).
Em 1986, Benfield montou o seu próprio estúdio perto de Londres onde se dedicou sobretudo a desenhar e pintar a figura humana.

13.12.09

Àgora



Gostei imenso...
De: Alejandro Amenábar / Drama /
Com: Rachel Weisz, MaxMinghella, Oscar Isaac
Banda sonora - Dario Marianelli

12.12.09

Desafio


O blog Ler é viver propôs um desafio muito interessante mas... não foi fácil... há dias que as palavras, o sentir, os sonhos ou promessas não “cabem” ou não tomam vida na formatação de uma frase... principalmente com o poder sonoro que têm as frases: eu quero..., eu sei ..., eu prometo...
Quando pensei no Natal já se tornou mais luminoso e aliás a ideia original do desafio seria mesmo essa, por isso aqui fica...

Eu já... fiz a árvore de Natal, adoro árvores e esta não é excepção, há falta de melhor inspiração, para ser diferente e a pensar nos pequenos...entre as luzes e poucas bolas que dão um brilho sempre especial, enfeitei também com pequenos peluches e então surge entre as ramagens pequenos leões e ovelhas, espreitam ursos e doninhas por entre os ramos ...
Giro, foi ver a reacção deles!!!

Eu nunca... fiz um boneco de neve “à séria” com nariz de cenoura e gorro...

Eu sei... que a magia do Natal poderá nem sempre existir.

Eu quero... manter sempre este calor e deslumbramento quando penso nesta época.

Eu sonho... que haja cada vez mais aconchego nos corações...
menos frio, menos fome, menos dor...
todo o ano obviamente, não só agora...

Eu prometo... raras vezes faço promessas.

11.12.09

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E tem sido ensaios e ensaios e mais ensaios ...
preparação para os concertos de Natal.
O desafio não está esquecido...está em banho-maria

7.12.09

uma nuvem...

...
"Uma nuvem de fumo azul sobe muito lentamente. O quarto está cheio de livros empilhados nas mesas, na estante e mesmo nas cadeiras. Livros de capas amarelas e brancas e cinzentas. Alguns dobrados ao meio, mostram a cor de trigo do papel e o desenho contínuo e cerrado das letras.
O quarto tem algo de glauco e de doirado como se nele morasse uma mulher de olhos verdes e cabelos loiros, leves e compridos, de um loiro brilhante e sombrio, e cujo perfume é o perfume do sândalo. A beleza da sua testa é grave como a beleza da arquitrave de um templo. Nos seus pulmões há um quebrar de caule. Nas suas mãos, através da finura da pele e do azul das veias, o pensamento emerge. Nesse quarto se vê a pausa em que o instante, de súbito, surpreende e fita e enfrenta a eternidade. E ali se vê o brilho vivo que navega no interior da sombra. Ali se ouve a linguagem que, como nenúfar, aflora à tona das águas paradas do silêncio. Porque o quarto sussurra como se fosse o interior de uma tília onde palpitam miríades de folhas verdes cujo reverso é branco e que batem como pálpebras, ora revelando ora escondendo o interminável brilho dos olhos magnéticos, verdes, cinzentos, azuis e desmesurados como mares. Ali o ar, em frente dos espelhos, oscila e parece arder como se mãos, macias como pétalas de magnólia, alisassem e torcessem longas madeixas de cabelo denso como searas e leve como o fogo." ...

Excerto do conto "A Casa do Mar"
de Sophia de Mello Breyner Andresen

6.12.09

daquele relógio

Era um relógio de parede em madeira escura com linhas grotescas... a cada hora que passava o som ressoava pela casa...
mais forte pareciam os segundos que marcavam os compassos do dia e das noites intermináveis... pareciam passos escondidos que a qualquer momento podiam trocar aquele silêncio agonizante por gritos de susto...
mesmo no meio da casa de onde ramificavam todas as outras divisões ...lá estava na sua linguagem monótona em promessas de futuro.
Ao cimo das escadas, na sala das cadeiras de veludo carmim viviam quadros nas paredes esventradas pelo tempo, seguravam pinturas esculpidas em sonhos descansados e telas bordadas com mulheres de olhos grandes e cabelos longos... nem o veludo abafava o som misterioso do relógio... no centro da casa a cada hora que passava por entre os silêncios murmurados.
A sala de costura, espaço mais cheio de vida não existia em toda a casa... mãos ágeis e sabedoras de mulheres que organizavam peças de tecido em torno de cada história vivenciada até àquele dia, silenciosamente cantando para si mesmas, os acontecimentos marcados pelo tempo... numa comunhão de gestos que as mantinham unidas não pelos sonhos mas pela árdua tarefa. Os bordados no tecido fino, tomavam forma de flores, parecendo pequenos diamantes que nasciam das mãos cansadas. A máquina de costura calava o som do relógio...

2.12.09

dos dias quentes...

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nas mil formas se ornamentava e com pequenos rendilhados brancos aleatoriamente dispostos se deixava perder pelo dourado...
o calor ficava nas ondas de vento que se despediam do dia... já se fazia prever o cantar das cigarras no transpirar oscilante dos arbustos quase ressequidos.
não havia vozes que calassem e passos que afugentassem...o pensamento.
nem aves de amplos voos, nem flores brancas...a paisagem seca, perdida...
ao longo da fileira de águas abandonadas pelo doce cantar...debruavam-se covas de espera... o seco dia fitava o horizonte longínquo.

1.12.09

cor de Natal

Hoje disseram-me na rua: “a menina ficou da cor das bolas de Natal”... o meu pensamento levou uns segundos a desmontar a frase, pior que isso..a tentar perceber se valia a pena, explicar que o que acontecera não fora motivo para corar e que apenas o banho a escaldar (mau hábito) me tinha deixado assim...sem vestígios de pele pálida! "hum, não...deixe lá , sou mesmo assim..."- só consegui dizer isto.
Na rua já se respira Natal, até a minha cara, portanto...
A entrada do centro comercial está contagiante, falta a música natalícia ... quase dei um grito mudo quando vi a livraria fechada, será para sempre? Em vez de uma montra cheia de livros, estavam papéis velhos a forrar os vidros parecendo quase mortos...
O Pai Natal lá estava numa poltrona invejável...