18.11.09

retalhos

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Quando os primeiros raios de sol tocavam os ramos da ameixoeira, já as portadas do quarto se derretiam com sorrisos para o anunciado dia...
Já o som dos tachos de alumínio se rendiam à dança dos sabores ...
já o velho rádio do meu pai sem vestígios de música, enchia a casa com vozes graves e sem graça...
de fuga para o quintal, deitava-me no muro aquecido pelo morno sol e perdia-me nas cores do céu com densas nuvens brancas.
O quase gatil do vizinho amanhecia calmo como se nada fosse, exibindo os seus lombos bem nutridos, o orgulho do velho e cansado homem que todas as tardes morria para o prazer do vinho.
Conforme era a dança das borboletas assim eu as resistia ou não... demorava-me na simetria das manchas, na perfeição das cores esbatidas mas sobretudo na metamorfose que nunca vira...
A mulher de traços rudes, olhar vago mas tão penetrante... lá estava ela de olhos insistentemente postos em mim! Gostaria ela, tanto do seu quintal como eu do meu?
E seria eu parte integrante das vistas do seu quintal, como as borboletas assim eram para mim?
As plantas, pequenos arbustos, flores, ervas e urtigas eram amplamente investigadas e por vezes dilaceradas pelas minhas mãos que tanto as gostavam...regá-las era o maior gesto de amor que tinha para com elas....

2 comentários:

  1. Nem sei disser como,o quanto eu gostei.

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  2. Sons, aromas, formas, texturas e sensações; de tudo um pouco nesta pequena peça da poesia do real... sempre a mais tocante!

    Beijinho!

    Jorge

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