17.11.09

retalhos

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Uma janela até ao chão com portadas brancas de madeira e cortinas esvoaçantes, quase transparentes traziam o perfume dos ventos e guardavam o quarto branco e rosa...
quando o sol tocava as finas portadas, transformava a monotonia do quarto em voláteis imagens que se pareciam com os desenhos das nuvens que se moldam no céu de diferentes maneiras.
Se durante o dia tudo parecia ter melodia própria que encantava até as flores mais tristes, a noite tinha um surdo mistério que estancava a tranquilidade da natureza que se revelava agora de diferentes cores e sons...
A imensidão do negro quintal assustava as paredes da casa que se encolhiam para deixar a noite passar, fazendo o chão de madeira ranger aos passos mais tranquilos...
quando as luzes da casa se apagavam, a lua camuflava o breu e o frio da noite escura que fazia gritar as gatas do vizinho que estavam com cio... a minha avó dizia “vá dorme, estão doentes já lhes passa.”
Mas não passava com a rapidez que o meu coração para adormecer necessitava... os olhos faziam um esforço por se colarem em sonhos talvez mais brilhantes que estas noites escuras...

1 comentário:

  1. Estou a ler atentamente e a degustar bastante estes retalhos.
    Gosto desta escrita.
    Beijo

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