7.11.09

O silêncio

Se recuasse uns anos atrás no tempo, falar de silêncio não teria certamente a mesma quase dor saudosa que pressinto quando lhe toco por ínfimos instantes nas suas partículas voláteis...
Os dias acontecem como um puzzle ruidoso, cada peça tem o seu som e cada junção tem o seu particular ruído...
Encontrar um ponto de silêncio, é como uma melodia plena de paz, uma plenitude no sentir do coração e pensamento ... que fluem como um pássaro livre quando experimenta os voos mais tranquilos do seu dia.
Sophia de Mello Breyner, no conto “O silêncio”, caracteriza-o de uma forma tão bela, quando descreve o culminar de um dia de uma mulher, nas coisas tão simples e comuns de sua casa, banhado pelo silêncio que o torna cheio de brilho. A harmonia do momento...

“Um doce silêncio pairava como uma sede estendida.
O silêncio desenhava as paredes, cobria as mesas, emoldurava os retratos. O silêncio esculpia os volumes, recortava as linhas, aprofundava os espaços. (...)
O silêncio como um estremecer profundo percorria a casa.”

De tão pouco existir...quando toca as quase arestas da minha aura, fecho os olhos e inspiro... para talvez... não o perder.
De tão ínfimamente existir, refugio-me nos silêncios roubados...mergulho no som surdo das palavras que me surgem na mente, entro no silêncio da música que oiço...
Simplesmente porque me trazem a mesma quase sensação do silêncio, embora sendo um silêncio artificial, entro num “mundo meu”, aquele onde por vezes só o silêncio, permite lá chegar...nas palavras e na música me oiço e espreguiço... o meu silêncio.

“O silêncio agora era maior. Era como uma flor que tivesse desabrochado inteiramente e alisasse todas as suas pétalas.” ...

2 comentários:

  1. Eu, também,gosto do silêncio. Eu preciso do silêncio, mas isso isso não quer dizer que vivamos num mundo branco, não é?
    Gostei do que vi/senti nesta visita.
    :))

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