14.11.09

coisas da vida ...

Maria da Liberdade assim iria ser o meu nome... não propriamente um nome bonito mas talvez um bonito nome... colorido, sonoro.
Não deixando que a eloquência do 25 de Abril de 74 ( ano em que nasci ) contagiasse até a minha identidade, a ideia foi posta de parte e com um nome simples e sem História fiquei... felizmente.
Nasci algures onde o mar tempestuoso circunda a terra e as flores se estendem para além do alcance do olhar ... a tempestade e a calma.
A minha casa de infância jamais a esquecerei, ainda hoje sonho com esses retalhos.
Deixei as raízes geográficas do coração e do corpo pelos 14 anos.
Cheguei aos braços de Lisboa numa noite quente, curiosamente numa noite de apagão, onde iriam ser os “meus novos caminhos”. Não vi a cor dos lençóis onde me deitei... e o meu pensamento desaguou na certeza que a noite se faria dia e que os rios da alma também secam.
Durante muito tempo, voltar às raízes era o melhor que me podia acontecer.
Com o tempo, o coração prendia-se aos acontecimentos, aos afazeres e aos caminhos.
Lembro-me tão bem do primeiro cigarro, dos que se seguiram e dos que não aconteceram, das primeiras saídas, dos professores, dos sonhos, das músicas, dos namoros, das gargalhadas que tinham outra cor, até o olhar um desafio, o cabelo comprido como nunca - a leveza e a descontracção do sabor da vida.
A responsabilidade do tempo traz-nos outros ventos e outros sonhos...
Crescer dói, custa... em algum momento é fácil e espontâneo, noutros gostaríamos que nos tivessem ensinado o segredo das coisas difíceis se tornarem fáceis...
Provavelmente viver não teria o mesmo encanto e bravura...
Olhar para trás de soslaio e trazer o perfume do passado nas asas, é se calhar a força dos nossos passos.
Criei raízes e dei frutos, não com a firmeza de uma árvore, mas com a sabedoria possível que as minhas veias contam e que o meu corpo nos detalhes gravou para sempre...
os acordes da vida são belos, sem sombra de dúvida e ainda que em dias desafinados me custe cantar, há sempre uma melodia ténue que me cerca o coração e me faz agarrar a vida pelas entranhas...

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