29.11.09

papel branco

Parece que as palavras se esgotam sobre o papel branco que quase sempre apelativo tem dias que se mostra impermeável a qualquer desabafo ou emoção...
...tarde de Domingo fugidia, cúmplice de um dia cinzento... corre desgarrada nas paredes sombrias.
O céu que se torna noite em fim de tarde, convida ao acender das luzes que cedo trazem tonalidades de calor que se estendem pela casa...
Hoje falta o cheiro do bolo quente que se desfaz na boca... abrigo as sensações na quente manta onde mergulho o corpo...
Lá fora a chuva cai imparável e as árvores baloiçam trémulas ao sabor do vento frio...
aguardam ansiosamente a lua que se demora...

26.11.09

Frida Kahlo



No ano de 2008, a banda inglesa 'Coldplay' lançou um CD intitulado "Viva La Vida or Death and All his friends" inspirado no quadro da artista Frida Kahlo, também chamado de Viva La Vida. Chris Martin (vocalista) ficou encantado ao saber que mesmo depois de tantos percalços na vida da artista ela conseguira manter o optimismo, sobretudo, exaltando a vida nesse quadro.

22.11.09

selo


O blog Terras de Algodão, que como o nome inspira é um cantinho muito doce ... ofereceu à Lua este simpático selo. Obg!!! A regra seria passá-lo a outros três blogues mas confesso que não tenho facilidade nesta parte de distribuí-los, perdoem-me! Ofereço a todos os que por aqui passam, levem-no!...até porque de sexy temos todos nós um pouco... :)

21.11.09

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...de volta dos lápis de carvão.


Esta obra pertence ao "meu" adorado Gustav Klimt. O resultado do meu empenhamento ontem foi devastador por isso nem me atrevi a publicar ...mas não desisto, fica prometido em breve...

20.11.09

dias...

Estes dias cinzentos, Deus me perdoe, mas como os renego!
O empalidecer das ruas que me seguem, trazem a luz quebrada e o silêncio do sol...
Prefiro não olhar pela janela mas nem é preciso porque a sombra do dia pressente-se dentro de casa...
Como se não bastasse a melancolia das almas...
Se me lembro do mar, consigo prever a sua revolta em tons de cinza e espuma...as gaivotas procuram abrigo na terra.
E se as nuvens chorarem não terei forças para as consolar!
Nem as águas lavam as almas ou as ruas mais tristes da cidade...
Nem o nevoeiro esconde o próprio nevoeiro da cidade bacilenta, taciturna...
Então para quê...

18.11.09

retalhos

3
Quando os primeiros raios de sol tocavam os ramos da ameixoeira, já as portadas do quarto se derretiam com sorrisos para o anunciado dia...
Já o som dos tachos de alumínio se rendiam à dança dos sabores ...
já o velho rádio do meu pai sem vestígios de música, enchia a casa com vozes graves e sem graça...
de fuga para o quintal, deitava-me no muro aquecido pelo morno sol e perdia-me nas cores do céu com densas nuvens brancas.
O quase gatil do vizinho amanhecia calmo como se nada fosse, exibindo os seus lombos bem nutridos, o orgulho do velho e cansado homem que todas as tardes morria para o prazer do vinho.
Conforme era a dança das borboletas assim eu as resistia ou não... demorava-me na simetria das manchas, na perfeição das cores esbatidas mas sobretudo na metamorfose que nunca vira...
A mulher de traços rudes, olhar vago mas tão penetrante... lá estava ela de olhos insistentemente postos em mim! Gostaria ela, tanto do seu quintal como eu do meu?
E seria eu parte integrante das vistas do seu quintal, como as borboletas assim eram para mim?
As plantas, pequenos arbustos, flores, ervas e urtigas eram amplamente investigadas e por vezes dilaceradas pelas minhas mãos que tanto as gostavam...regá-las era o maior gesto de amor que tinha para com elas....

17.11.09

retalhos

2
Uma janela até ao chão com portadas brancas de madeira e cortinas esvoaçantes, quase transparentes traziam o perfume dos ventos e guardavam o quarto branco e rosa...
quando o sol tocava as finas portadas, transformava a monotonia do quarto em voláteis imagens que se pareciam com os desenhos das nuvens que se moldam no céu de diferentes maneiras.
Se durante o dia tudo parecia ter melodia própria que encantava até as flores mais tristes, a noite tinha um surdo mistério que estancava a tranquilidade da natureza que se revelava agora de diferentes cores e sons...
A imensidão do negro quintal assustava as paredes da casa que se encolhiam para deixar a noite passar, fazendo o chão de madeira ranger aos passos mais tranquilos...
quando as luzes da casa se apagavam, a lua camuflava o breu e o frio da noite escura que fazia gritar as gatas do vizinho que estavam com cio... a minha avó dizia “vá dorme, estão doentes já lhes passa.”
Mas não passava com a rapidez que o meu coração para adormecer necessitava... os olhos faziam um esforço por se colarem em sonhos talvez mais brilhantes que estas noites escuras...

16.11.09

retalhos

1
A porta da entrada era de ferro branco e preto, a campainha igualmente em ferro mas enferrujado, parecia um pequeno sino que raramente tocava.
Esta porta abria-se para o início do quintal, claro. Existiam dois vasos em pedra enormes com fetos viçosos que preenchiam quase toda a entrada, dando um ar acolhedor que convidava a entrar.
O piso era empedrado sem falhas, de uma pedra cinza escura, muitas vezes fingi que o varria, adorava... normalmente todas as crianças gostam.
Quando se subia do lado esquerdo, estavam canteiros cheios de Estrelas de Natal, flores vermelhas e inesquecíveis, às vezes partia-lhes pequenas folhas só para ver o "veneno" branco.
Do quintal avistava dois terrenos onde eram cultivadas vinhas, pertenciam ao meu vizinho do lado, um homem acabado e velho que dava de beber a mil homens que lá paravam e que como ele, se arrastavam na vida ao compasso do vinho. Na altura mais me pareciam homens doentes prestes a morrer nas próximas horas mas todos os dias de manhã lá estavam eles de novo...
Havia uma figueira e uma ameixoeira que davam frutos doces e sombra às minhas brincadeiras.
A vizinha do outro lado também velha, de cabelo médio e traços rudes com um olhar aflitivo... fugia para ela não me ver.
O quintal culminava com a casa, cheia de janelas e portas...
(continua...)

14.11.09

coisas da vida ...

Maria da Liberdade assim iria ser o meu nome... não propriamente um nome bonito mas talvez um bonito nome... colorido, sonoro.
Não deixando que a eloquência do 25 de Abril de 74 ( ano em que nasci ) contagiasse até a minha identidade, a ideia foi posta de parte e com um nome simples e sem História fiquei... felizmente.
Nasci algures onde o mar tempestuoso circunda a terra e as flores se estendem para além do alcance do olhar ... a tempestade e a calma.
A minha casa de infância jamais a esquecerei, ainda hoje sonho com esses retalhos.
Deixei as raízes geográficas do coração e do corpo pelos 14 anos.
Cheguei aos braços de Lisboa numa noite quente, curiosamente numa noite de apagão, onde iriam ser os “meus novos caminhos”. Não vi a cor dos lençóis onde me deitei... e o meu pensamento desaguou na certeza que a noite se faria dia e que os rios da alma também secam.
Durante muito tempo, voltar às raízes era o melhor que me podia acontecer.
Com o tempo, o coração prendia-se aos acontecimentos, aos afazeres e aos caminhos.
Lembro-me tão bem do primeiro cigarro, dos que se seguiram e dos que não aconteceram, das primeiras saídas, dos professores, dos sonhos, das músicas, dos namoros, das gargalhadas que tinham outra cor, até o olhar um desafio, o cabelo comprido como nunca - a leveza e a descontracção do sabor da vida.
A responsabilidade do tempo traz-nos outros ventos e outros sonhos...
Crescer dói, custa... em algum momento é fácil e espontâneo, noutros gostaríamos que nos tivessem ensinado o segredo das coisas difíceis se tornarem fáceis...
Provavelmente viver não teria o mesmo encanto e bravura...
Olhar para trás de soslaio e trazer o perfume do passado nas asas, é se calhar a força dos nossos passos.
Criei raízes e dei frutos, não com a firmeza de uma árvore, mas com a sabedoria possível que as minhas veias contam e que o meu corpo nos detalhes gravou para sempre...
os acordes da vida são belos, sem sombra de dúvida e ainda que em dias desafinados me custe cantar, há sempre uma melodia ténue que me cerca o coração e me faz agarrar a vida pelas entranhas...

9.11.09

dançando...

Porque no fundo não há diferenças...
porque somos sobretudo
alma em vez de corpo
porque somos luz
coração de sorrisos
brilho no olhar
seres de afecto
de fragilidades
beleza
e ternura
porque todos sentimos...
.


.
Porque achei lindo...

8.11.09

Egon Schiele


Egon Schiele, pintor austríaco ligado ao movimento expressionista.
Em 1906 com 16 anos entrou na Akademie der Bildenden Kunste, em Viena, onde estudou desenho e pintura.
Em 1907, Schiele conhece Gustav Klimt que, interessado no seu trabalho, fez dele o seu “protegido”. Ajudou-o comprando alguns dos seus trabalhos, apresentado-o a pessoas influentes, arranjando-lhe modelos, entre outras coisas.
A sua primeira exposição foi em 1908 na Klosterneuburg. Insatisfeito com o carácter conservador da academia, Schiele abandonou os estudos e juntamente com outros colegas que partilhavam a mesma insatisfação criou o grupo Neukunstgruppe (“grupo nova arte”).
Liberto de conservadorismo, começou a explorar mais a forma humana ...

7.11.09

O silêncio

Se recuasse uns anos atrás no tempo, falar de silêncio não teria certamente a mesma quase dor saudosa que pressinto quando lhe toco por ínfimos instantes nas suas partículas voláteis...
Os dias acontecem como um puzzle ruidoso, cada peça tem o seu som e cada junção tem o seu particular ruído...
Encontrar um ponto de silêncio, é como uma melodia plena de paz, uma plenitude no sentir do coração e pensamento ... que fluem como um pássaro livre quando experimenta os voos mais tranquilos do seu dia.
Sophia de Mello Breyner, no conto “O silêncio”, caracteriza-o de uma forma tão bela, quando descreve o culminar de um dia de uma mulher, nas coisas tão simples e comuns de sua casa, banhado pelo silêncio que o torna cheio de brilho. A harmonia do momento...

“Um doce silêncio pairava como uma sede estendida.
O silêncio desenhava as paredes, cobria as mesas, emoldurava os retratos. O silêncio esculpia os volumes, recortava as linhas, aprofundava os espaços. (...)
O silêncio como um estremecer profundo percorria a casa.”

De tão pouco existir...quando toca as quase arestas da minha aura, fecho os olhos e inspiro... para talvez... não o perder.
De tão ínfimamente existir, refugio-me nos silêncios roubados...mergulho no som surdo das palavras que me surgem na mente, entro no silêncio da música que oiço...
Simplesmente porque me trazem a mesma quase sensação do silêncio, embora sendo um silêncio artificial, entro num “mundo meu”, aquele onde por vezes só o silêncio, permite lá chegar...nas palavras e na música me oiço e espreguiço... o meu silêncio.

“O silêncio agora era maior. Era como uma flor que tivesse desabrochado inteiramente e alisasse todas as suas pétalas.” ...

4.11.09

caminho

Klimt
Há qualquer coisa nos caminhos por onde passamos diariamente que fazem quase parte de nós e nós parte deles... e se por tantas vezes desejamos que ventos fortes alvoracem a monotonia dos nossos passos, também há aqueles dias que o caminho comum e habitual me traz tanta paz... como algo que se molda de tal forma perfeita, que se faltar um pormenor naquele ritual de passagem, sinto a falta...
Se calhar inconscientemente...mas dou por mim a escolher caminhos com "pequenos nadas", que me encantam e me fazem voltar...
E tanto no caminho de ida como de regresso a casa, são pequenos pormenores que me dão prazer e sensação de pertencer a um qualquer sítio.
É por essa razão que escolho sempre o caminho junto às árvores e toco nos arbustos que deixam o cheiro a pinheiro nas mãos e até casa vou saboreando esse perfume, passo pelo vendedor de castanhas, apesar de não lhe comprar nada... pela loja de incenso...pela livraria... e se mais tempo tivesse não ficava por ali e em muitos mais recantos me encontraria.

3.11.09

Mad World

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E mais um ensaio irá acontecer no início da noite... e com alguma sorte e afinação irá ser melhor que o último... sim, porque o naipe dos sopranos no último ensaio, mais parecia um bando de sereias negras vindas das profundezas mais obscuras com um som de certa forma aterrorizante... principalmente aos ouvidos mais sensíveis...
a peça era difícil, um dia ponho aqui a tocar.

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Paula Rego
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Transparecem confusão, dor, revolta, conflito de corpos e rostos...
sinto falta de alguma serenidade e beleza dos rostos e traços...mas encontro impacto, transmissão de mensagem e emoção, ainda que estranha... nas obras de Paula Rego.
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"Consegui fazer o grotesco belo. Há outro mistério sobre as coisas que têm um lado grotesco e belo, toda a gente tem isso. O grotesco é feio, é repugnante, faz nojo. Mas também é belo, tem a beleza feia, que pode provocar uma ternura."
"A autoria na escrita tem a ver com o uso da palavra, a pintura tem a ver com outra emotividade. Quando há uma tela enorme, há o prazer de fazer um risco, mas depois nós precisamos de uma história que vai encher a tela. Enquanto se está a fazer, é preciso exagerar e arranjar a história. Com a palavra, vai-se procurando a maneira de a contar."- Paula Rego

1.11.09

Feiticeiro de Oz


O Feiticeiro de Oz conta a história de Dorothy, personagem interpretada por Judy Garland, que é levada por um tornado para um mundo mágico que fica para além do arco-irís. Apenas o Feiticeiro de Oz com os seus poderes a pode levar de volta à sua casa no Kansas.

Filipe La Féria traz a Portugal este célebre musical infantil numa adaptação da versão cinematográfica para o teatro.
Teatro Politeama até 17 de Dezembro

Ainda não vi ...

e como pesam...

Há dias determinantemente perigosos para comprar seja o que for...porque tudo me parece necessário, pior que isso, tudo me parece indispensável ... e esta altura do ano é propícia aos sabores, e ao ficar no quentinho a satisfazer as vorazes papilas gustativas. Entrar numa superfície comercial cheia de luzidias frutas de todas as cores e feitios, as castanhas que entram logo para a minha lista, os frutos secos, uns docinhos porque farão falta com toda a certeza, diz-me o meu pensamento, ...um chá, um isto, um aquilo, fora o que realmente é necessário!! Mas tudo brilha e me chama a atenção...
E chego a um ponto que olho para o volume das compras e penso, não! Não vou conseguir levar isto tudo... por outro lado penso, tudo é importante e preciso muito de tudo! Mentira...
E cheia de convicção dirijo-me sempre com esperança para a caixa e enquanto vejo os sacos se formarem a meus pés, a esperança de que o meu corpo irá conseguir suportar o peso das compras vai-se desvanecendo...
Ainda assim, tento ter aquela atitude positiva de que estou bem mas... começa o corpo a fraquejar e não há vez nenhuma que não pense, como desejaria ter uma capacidade muscular proporcional aos meus desejos ou ser suficientemente forte que não fraquejasse aos apelos vorazes da gula! ...