1.10.09

Cantoria

Desde miúda que cantava lá por casa, especialmente no quintal... fazia da vassoura um microfone de luxo , das janelas dos vizinhos camarotes onde sacrificava as pessoas a me ouvirem e dos sapatos de salto alto da minha mãe, o pormenor de classe para me dar confiança para o espetáculo. Na verdade havia até um fiel ouvinte, ficava na janela não para ouvir a voz mas para ver o meu aparatoso desempenho enquanto entoava “Balão sobe sobe”...é verdade, uma triste figura mas era tão desinibida que ainda hoje não percebo como mudei tanto...gostava de ter ainda um bocadinho daquela descontracção.
A cantoria era tanta que os meus pais decidiram “vamos pô-la num grupo coral” e assim foi.
Adorei claro. A fatiota do grupo era um bocadinho terrível, parecíamos verdadeiros canários de tão amarelo que era o vestido mas a possibilidade de cantar era um sonho tornado realidade e o amarelo era a cor da alegria.
O Natal era a minha época preferida e ainda hoje simplesmente adoro cânticos de Natal.
Portanto, só para dizer que isto de cantar ficou entranhado e continuo a cantar em casa, no carro e por aí...
Há uns dias atrás, à porta de casa aparece um cartaz onde pedia novos coralistas para um Grupo Coral que sempre me chamou a atenção. Liguei para o contacto, fui à audição e passei no teste vocal. Faço parte do naipe dos sopranos (disse o maestro) que é o tom de voz feminino mais agudo e aquele que mais gosto, parecemos verdadeiras sereias a cantar :).
E então há cerca de duas semanas que estou nesta nova aventura e dedicada à cantoria de música sacra e profana.
"A música profana é a música não sacra que se desenvolveu no período medieval. É constituída por canções de amor, sátiras políticas e danças acompanhadas de instrumentos como pandeiro e harpa que eram fáceis de ser transportados pelos cantores que se deslocavam de uma cidade para outra. As palavras eram muito importantes de modo que as pessoas pudessem cantar como diversão. A maior colecção de música profana provém dos poemas que os trovadores, provenientes do sul da França, levavam às cortes europeias."
Não estranhem então se aparecer por aqui algumas peças que ande a cantar...
Um sonho para mim seria frequentar uma escola com aulas de pintura, canto, dança...mas não, amanhã vou simplesmente trabalhar, a ouvir música pelo caminho claro!

5 comentários:

  1. Nunca duvidei que cantasses; afinal, o que é a poesia senão a voz mais refinada do ser humano?

    Beijinho!

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  2. Muito bem! Continua!
    Em adolescente fiz parte de um grupo coral, era também soprano!
    A música faz parte integrante da minha vida!
    Beijinhos!

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  3. Eu lembro-me de cantar desde que nasci...sim também era suprano...e as minhas figuras a cantar pela casa..bem essas ainda continuam...embora ninguém esteja a ver...devem...ouvir...:/
    Já cantei num coro infantil,já fiz parte do coro da igreja...mas levei sermão e frequentei 6meses um workshop de canto jazz...mas como deves ja saber do meu blog...foi a minha inibição que me fez ficar mesmo por aí...:(
    Se houver um grupo simpático coral...do género do que descreves...talvez!
    :D
    Bjs

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  4. Tem tudo a ver contigo. Continua a jornada! E um viva às "boas mudanças!"

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  5. Eu lembro-me desse grupo coral ... queria tanto fazer parte dele que até menti no dia do "recrutamento" ... eu voz de cana rachada??? não, nada disso, eu sou um rouxinol.

    Enfim ... uma das coisas que me deste foi o vicio de cantar ... e é um belo vicio ... infelizmente não para os que me ouvem ...

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