28.9.09

O rio de hoje...

Jardim de Queluz

Hoje depois de uma caminhada a pé, parei junto ao rio, seca de sede....os meus olhos beberam da água do rio e só consegui voltar a olhá-lo, depois de sofregamente repor os líquidos com uma água bem fresca.
Depois sentada num banco pensei...este rio não seria tão belo se não existissem aquelas pequenas árvores ao seu redor. Assim como os meus olhos, não o veriam com tanta paz, se não fosse aquela água que antes me refrescou.
Também as flores não seriam tão belas como quando pela manhã pequenas gotas de orvalho iluminam as suas pétalas...
Assim como as nuvens quando rasgadas pelos raios de sol me parecem mais majestosas.
Os jardins com borboletas me parecem mais completos.
Uma pintura é sempre mais intensa se antes passou pelo coração.
E como também apenas nasceram estas palavras porque o rio espelhava o sol e as minhas mãos que escreviam...

Só tive pena de não ter tido a hipótese de o fotografar.

27.9.09

"É uma parede com afectos (o corpo),
mas a coragem e o silêncio não são anatomia."

Gonçalo M. Tavares

24.9.09

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Adoro castelos...bem que poderia ser meu!

A galope


Quero adormecer
Para não ouvir o corpo...
O lamento do corpo que me ensurdece
Que me acelera o coração
E domina os sentidos.
Quero sonhar
Que as veias se purificam
O sangue se acalma
E na desenfreada luta da vida, sobreviver.
Quero calar as lágrimas
Mas agora na presença delas
Dar de beber ao coração
Para se acalmar.
Quero fugir a galope
Dos pensamentos
Da melancolia que me habita
Do corpo frágil
E do medo que aterroriza.

Quero embalar o medo
Adormecer na amendoeira em flor
Quero ser o meu luar...

20.9.09


Gosto de cantar
Enquanto as estrelas
Se prendem na melodia
Da alma a sonhar

Gosto de cantar
Enquanto o mar dorme
E as sereias negras
Voltam a sussurrar

18.9.09

cor de Outono

Klimt

O vento frio que quase dilacera a face e se entranha em todos os poros do corpo, começa a dar os seus primeiros sinais de vida nestes fins de tarde...
O pôr do sol é mais suave e menos caloroso.
Já me sinto a despedir das folhas verdes e cheias de luz.
Já me imagino a olhar pela janela e ver dias sombrios... hibernar seria a palavra que mais conforto me daria.
Esta melancolia que já nasceu comigo e que tatuada em minhas asas intensificada é, por esta dor de Outono...
E talvez apenas tapetes de folhas castanhas dêem força aos meus passos, ou o cheiro da terra molhada e o sabor das castanhas agucem os meus sentidos e a aproximação do Natal me traga algum calor na alma.
Sei que o frio, as águas e os ventos são alimento para a terra mas a minha alma que se veste de Outono apenas sobrevive com incansáveis dias de sol...

17.9.09

Escola

O que significa o rio,
a pedra, os lábios da terra
que murmuram, de manhã,
o acordar da respiração?

O que significa a medida
das margens, a cor que
desaparece das folhas no
lodo de um charco?

O dourado dos ramos na
estação seca, as gotas
de água na ponta dos
cabelos, os muros de hera?

A linha envolve os objectos
com a nitidez abstracta
dos dedos; traça o sentido
que a memória não guardou;

e um fio de versos e verbos
canta, no fundo do pátio,
no coro de arbustos que
o vento confunde com crianças.

A chave das coisas está
no equívoco da idade,
na sombria abóbada dos meses,
no rosto cego das nuvens.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

14.9.09

Klimt


Adoro árvores, até esta de Klimt!
Cheia de pormenores diferentes, folhas que não parecem folhas, ramos que não parecem os ramos habituais, raízes invulgares...parecem pequenos diamantes.

13.9.09

Ontem em Cascais...

Ontem Cascais desfez-se em festas como forma simbólica de despedida de Verão e no meu caso simultâneamente também final de férias.
A marina de Cascais vestiu-se de branco e rodeada de verde e mar explodiu em festa com fogo de artifício, numa noite quente que convidava à boa disposição e à música por todos os cantos.
A festa da M80, teve lugar no espaço subterrâneo da marina de Cascais que se transformou num verdadeiro regresso ao passado para os amantes da música dos anos 70, 80 e 90. Entrar naquela época cheia de recordações porque a música também tem esse poder –nunca morre-, foi contagiante na forma como as pessoas se entregaram à dança e ás músicas tão bem escolhidas pelos Dj’s. Num espaço enorme com écrans, com demasiado calor e suor mas isso era o menos importante, melhor era a música e o ambiente esfuziante... não vos sei explicar mas aquela música tem um efeito realmente mágico, precisavam lá estar para ver...

10.9.09

No meu céu ...


Os céus cinzentos
Fazem-me aconchegar
No calor dos corações
E pintar a saudade das estrelas

Os céus cinzentos
Fazem-me procurar a musa dos céus
E espelhar-me na sua candura

Os céus cinzentos
Fazem-me volver as marés
E escrever na areia molhada

Os céus que fazem cantar
A voz mais sombria
Onde apenas a luz atrevida
Se solta em plena noite a sussurrar

Selo cheio de néctar


Este lindo e doce selo foi oferecido por Rosa Araújo, dona do contagiante blog
Aprendiz de Feiticeiro, o qual sigo atentamente. Muito mto obg e um grande beijinho.
Néctar : “Substância aquosa e doce que serve de alimento...” e porque as palavras também alimentam a alma e porque não prescindo de ler a minha lista de blogues, esta é certamente a parte mais difícil, aliás muito difícil.... aqui vai então, os nomeados são:

9.9.09

...

A manhã acordou com uma aura de mistério...o abrir da janela trouxe o ar quente e em tons de amarelo acinzentado, o céu partia-se num fulgor de desânimo e em lágrimas desaguava por toda a terra.
O pronúncio do Outono...

8.9.09

Portishead - Roads



Eu sei que a qualidade de som não está grande coisa mas gosto tanto desta música...

Nas ruas...

Ontem parei os olhos nas paredes de uma rua em Queluz e hoje peguei em mim para fotografar os graffitis que me ficaram na memória.
Compreendo que nem toda a gente veja com bons olhos esta forma de expressão..., quanto a mim, é uma forma muito forte de expressar pensamentos, emoções ou até de eternizar um momento e por tudo isto não consigo ser indiferente a esta forma de arte que respira nas ruas.
Desde a antiguidade que o Homem tem a necessidade de esculpir nas rochas e paredes as suas mensagens e figuras simbólicas.
O graffiti pode ser feito legal ou ilegalmente, o seu conceito surgiu nos bairros mais estigmatizados dos Estados Unidos , mais precisamente em Nova York, durante a década de 70. O fenómeno atingiu a Europa nos anos 80 e em Portugal surgiu no final dessa década.
Aqui ficam nas paredes do meu blog ...





6.9.09

Janela


Desde sempre que as janelas têm um encanto especial.
Por uma razão ou por outra guardava sempre um bocadinho do dia para ficar à janela e como isso me descontraia...e não era para ver o vizinho passar ou saber que cor de sapatos calçava, era apenas olhar para tudo e nada.
Na minha casa de infância podia até avistar o mar, as casas perdidas no verde e ali me demorava nas cores, nas formas e no horizonte.
Quando deixei a Ilha e cheguei a Lisboa, na minha casa de adolescência (assim a chamo), apoderei-me da varanda com vista para o Palácio de Queluz e o seu imenso jardim, que me serenava a sensação de perda e os medos da mudança...era ali o meu refúgio.
Hoje com outras vistas e sem tempo para ficar à janela...adoro focar o enquadramento da janela de dentro de casa e ver as árvores da minha rua que se sentem conforme o tempo, umas vezes calmas, outras bravas, tristes ou brilhantes.
As janelas são pequenos quadros vivos ...

5.9.09

Betty Boop


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"Betty Boop é uma personagem de desenho animado que apareceu nas séries de filmes Talkartoon e Betty Boop, produzidas por Max Fleischer e distribuídas pela Paramount Pictures.

Foi em 1930 que a personagem imigrante judaica começou sua "carreira", em Dizzy Dishes, espelhando-se nas divas desta década, ao som de muito jazz (Big Bands). Mas Betty Boop ficou famosa mesmo quando interpretou "Boop-Oop-a Doop-Girl", de Helen Kane, e, enfim, entrou para a história, participando de mais de 100 animações.

Entretanto, após 1934, o novo Código de Produção impôs uma censura à personagem. Em nome da moralidade, Betty não poderia mais exibir seus decotes nem suas roupas insinuantes. Acredita-se que o comportamento progressivo da personagem era algo para o qual a população dos Estados Unidos da época não estava preparada para receber. Afinal, eram tempos de Disney e seus bichinhos. Os irmãos Fleischer modificaram a imagem de Betty, vestindo-a até o pescoço. Contudo, mantiveram em evidência o contorno de seus seios sobressaindo das malhas colantes, o que a deixou mais sensual. Em 1939, Betty Boop foi proibida de aparecer nas telas pelo Comité Moralizador após anos de perseguição.

Betty foi um grande sucesso nas platéias de teatro, e apesar de ter decaído durante a Década de 1930, ela continua popular actualmente pelo ar de sensualidade. Sua última aparição foi no cinema, em 1988, quando fez uma ponta em Uma Cilada para Roger Rabbit..."

1.9.09

The Proposal


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Possivelmente já viram este filme mas como só agora tive essa possibilidade quero partilhar convosco...uma comédia romântica que conta com a participação de Sandra Bullock e Ryan Reynolds.

Margaret força o seu assistente Andrew a casar com ela para poder permanecer nos E.U.A. e continuar com o bom cargo que tem na empresa onde trabalha...

Aqui ficam algumas imagens divertidas das cenas a repetir. Adorei o filme! Fartei-me de rir...
Apenas uma sugestão.

Anoitecer das palavras


No anoitecer brotam as palavras
Como quando os morcegos acordam
Quando a noite cai...
Quais vampiros de olhos vermelhos
Saem à rua...
E de sangue quente vivem
Em noites de mistério vai...assim
Também estas palavras de lua vivem
E do silêncio da noite que tão bem me faz.
E nem a luz do sol
ou dos candeeiros solitários
me traz tanto abrigo às palavras
como esta lua que seduz
que impera a sua voz na noite
e pinta de negro o céu com raios de luz...