9.8.09

Quinta da Regaleira


Pela misticidade e grandiosidade desta Quinta escondida no arvoredo de Sintra, vale a pena conhecê-la, localizada em pleno Centro Histórico de Sintra, a Quinta beneficia de um micro-clima que lhe confere ainda mais o seu lado misterioso pelos constantes nevoeiros a povoar e a embelezar este monumento que guarda histórias desde há mais ao menos 200 anos.
Carvalho Monteiro pelo traço do arquitecto italiano Luigi Manini faz nascer um palácio rodeado de luxuriantes jardins, lagos, grutas e construções enigmáticas, lugares estes que ocultam significados alquimicos, como os envocados na Maçonaria, Templários, Rosa Cruz, assim dizem os escritos.
O bosque denso e ríquissimo não está disposto ao acaso mas sim de forma mais organizada na parte inferior da quinta e mais selvagem na parte superior.
Existe o patamar dos Deuses composto por nove estátuas dos deuses greco-romanos.
Há um poço subterrâneo de fazer suster a respiração, composto por uma escadaria em espiral que desce até ao fundo do poço. A escadaria é composta por 9 patamares separados por 15 degraus cada um, invocando referência à Divina Comédia de Dante e que podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso ou do purgatório. No fundo deste poço está embutida em mármore uma rosa dos ventos, sobre um cruz templária indicativo da Ordem Rosa-Cruz.
Acredita-se que este poço era usado em rituais de iniciação à maçonaria. A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará.
Está misteriosamente ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta.
Túneis estes que foram habitados por morcegos, a pedra que os revestem dão a sugestão de um mundo submerso.
Tem uma capela, Capela da Santíssima Trindade, nela está representada Santa Teresa d’Ávila e Santo António. No meio está representado o mistério da Anunciação. No interior vê-se Jesus depois de ressuscitar coroar uma mulher que pode ser Maria ou Madalena (de uma teoria mais controversa ). Esta capela tem igualmente um túnel obscuro com portas entre abertas e que dá acesso a uma parte do jardim.
Sem dúvida uma luxuante e enigmática arquitectura que me faz questionar sobre as vivências ocultas que por ali passaram...
Assim como a necessidade de criar espaços de luz e de breu, como se estivesse simbolizado a luz e vida, as trevas e a morte.
Faz lembrar seres que se transformam, almas que se perdem ou encontram na obscuridade.
Faz lembrar Condes Dráculas e morcegos.
Seria impossível para mim aflorar mesmo que por perto um daqueles túneis durante a noite, uma vez que até durante o dia impõe o seu imponente respeito principalmente se pensarmos nas pessoas que por ali passaram...
Há um misterioso perfume fresco e floral dentro dos túneis e das grutas...
Fica aqui apenas uma sugestão...
não são permitidas visitas à noite na Quinta, no entanto o seu cenário é usado à noite como pano de fundo para dar vida a peças de teatro e concertos musicais desde o clássico até o rock, assim como canto lírico.

2 comentários:

  1. Acreditas que estou aqui tão perto e nunca lá fui? Ainda assim, gostaria de ir a uma das visitas meio esotéricas que por lá se fazem... tenho de procurar isso.

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  2. Não se DEVE visitar a Regaleira à noite. Mas pode-se, quando se está disposto a arriscar.
    Há vários anos atrás, arrisquei. E fiz o percurso iniciático durante a noite.
    Aquelas grutas estão vivas. Pulsam energia e movem-se como se estivessem a respirar. Milhões de olhos iluminados pelas lanternas observam-nos a passar, aterrorizados.
    Era louca, nessa época.
    Mas consegui.

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