22.8.09

viver

É curioso, o corpo pode demorar a dar os seus sinais de excesso de stress físico e interior mas acaba por se revelar SEMPRE... e apesar de ter tido tantos e tantos sinais para parar, descansar e acalmar, eu continuei na minha luta diária porque assim tinha de ser e assim realmente tem de ser mas talvez a minha forma de me entregar às coisas deva ser diferente...
Após quase 24h num hospital, com uma situação aguda, grave não pela situação em si mas pelas complicações que possam daí advir, vejo-me obrigada a repousar para acalmar o corpo e desejando que as complicações não passem por mim e me deixem viver.
Há umas semanas atrás falava-se sobre a morte num blog de uma forma corajosa e positiva e eu comentava com o meu lado inquieto, a minha dificuldade em lidar com esta temática.
Desde miuda, desde que me sinto, que a morte, simboliza para mim uma perda irreparável, um roubo de vida...não me perguntem de onde surge este medo mas encaro-a sempre com grande desgosto.
Faço parte deste mundo terreno que me liga intensamente com o abstracto e espiritual e porque somos realmente um Todo, sinto que talvez um dia consiga ter outra visão sobre a morte.
Sinto-me enraizada nesta vida e este lado desconhecido é como se fosse um cortar destas raízes ao mundo que amo.
E independentemente de sonhos realizados ou não, é nesta vida que me encontro, foi esta vida que conquistei, ganhei algumas lutas perdi outras, sorri, chorei, sofri, amei...como todos assim o fizeram.
Vivi e vivo intensamente as coisas, se calhar mais do que onde os meus passos me podem levar, por isso aquieto as asas e apenas me deixo levar por uma melodia mais calma da vida, se calhar dando-me mais atenção e ouvindo mais os meus limites físicos...
Mas não me tirem a possibilidade de ver o nascer do sol, o verde que nasce da terra, a lua...de sentir o perfume das flores, a brisa suave, os meus filhos e os seus sorrisos francos, as suas mãos carinhosas e os seus cheiros onde mergulho diariamente como se fosse uma poção mágica para o meu bem estar interior e o calor da família que todos anseiam e sonham ter...
O que vem a seguir não sei, apenas quero vida...

4 comentários:

  1. Agarra-te à vida e a todos os que te amam.
    Sei que o sol, o verde que nasce da terra, a lua, o perfume das flores e a brisa suave te querem sentir também aqui... todos os dias.

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  2. É priciso viver a vida, intensamente.

    abraços


    Hugo

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  3. Escolher vida... acho que é essa a palavra! :)
    Tudo a correr bem, minha amiga. Não desesperes, não desistas, mereces tudo o que a vida tem para te oferecer.

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  4. Entendo o que dizes. Eu e a morte temos também uma relação estranha. Não a aceito. Talvez precisamente por amar a vida, por estar profundamente enraizada na Vida... não sei. Só sei que é assim.

    Também eu me atropelo no querer viver intensamente. Custa, mas temos de aprender a ouvir-nos, a sentir os nossos ritmos. A acalmar agora, para viver mais depois. Faz parte.

    Espero que consigas encontrar o teu equilíbrio nas coisas boas que tens, que é o que mais vale... os teus filhos e a tua vida.

    E escolher viver, no verdadeiro sentido da palavra, é um escolha corajosa.

    Bona Fortuna

    Kisses

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