1.5.09

O meu eterno 1º de Maio...

De madrugada os choros habituais fizeram-me acordar como se de um despertador torturante e assíduo se tratasse e o cansaço cada vez mais toma conta de mim...mas dizia que ao acordar de madrugada, tive um rasgo de memória sem pedir, sem querer lembrar apenas surgiu diante dos meus pensamentos e sentidos. Reportei-me há muitos anos atrás, na minha modesta casa de infância, repleta de flores e mais flores, cantos e sonhos meus ...o meu Lugar.
Lembrava-me dos cheiros e da sensação, de sentir na casa a envolvência de algo especial, não por ser um mero feriado mas por ser o meu feriado, o dia em que fazia anos.
E viajei até o ser criança e engraçado que muito do que me ficou, foi aquela casa...talvez porque as casas são o nosso mundo, um porto de abrigo, as nossas coisas, o nosso jeito, os nossos cheiros e sabores.
E tinha uma sensação inexplicável de bem-estar quando a minha mãe arrumava a casa e encerava o chão, o cheiro da cera ainda hoje me faz desfolhar emoções guardadas. É tão bom... aquela sensação de equilibrio exterior equilibrava-me interiormente, trazia-me paz.
Das formas e tachos desprendia-se o cheiro de bolos e doces, acolhia-me tanto a alma...
O tradicional piquenique nas serras verdejantes da ilha não faltava.
A família, as vozes, a confusão...a presença da minha avó, aquela “fortaleza” de mulher que inexplicavelmente tanto me estruturava, amparava no seu jeito de ser, só me apercebi disso anos mais tarde quando a perdi.
As prendas que recebia timidamente e arranjava-lhes a cada uma, um sentido, um cantinho, um carinho...
E ser criança é fazer de poucas coisas tantas que nos enchem a alma.
E ser mulher e fazer anos hoje é olhar para trás com carinho e saudade, é sentir as lágrimas soltarem-se por motivo algum ou por tantos, é em silêncio buscar recortes do passado que me trazem conforto e paz.
É olhar para um coração e corpo de mulher que teima em não calar a voz interior que extravasa por dias, que se contém noutros mas que continua dia após dia na luta diária que é VIVER.

1 comentário:

  1. 100 posts, feliz coincidência com o teu aniversário. Parabéns por ambos. Ao ler o post sinto o teu enorme sorriso, mas também uns olhos castanhos embaciados, prontos a despejar uma avalanche de pequenas emoções transparentes para deslizarem pela encosta da tua face. Sorri, chora, ri, grita, mas nunca deixes de ser a Andy. Beijo Amigo.

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