9.5.09

Mutilação Genital Feminina


O que falo hoje não é de forma alguma um tema agradável e tenho vindo a adiá-lo por essa mesma razão mas um dia tinha de ser...
No encontro anual de enfermeiros de cuidados de saúde primários foi discutido entre outros temas, um que me ficou, talvez pela brutalidade inerente ao facto...falo da mutilação genital feminina. De facto, não consigo compreender e tão pouco aceitar que o Homem no seu íntimo tenha isto como um aceitável e natural ritual.
Ritual é definido como um “conjunto de gestos, palavras e formalidades, várias vezes atribuídas de um valor simbólico, cuja performance das quais é usualmente prescrita por uma religião ou pelas tradições da comunidade.”
Enquanto pesquisava mais sobre isto, encontrei um texto que quanto a mim espelha bem a realidade deste acto:
“Em 28 países africanos, nalguns países árabes, no Iraque, Indonésia e Malásia é praticada a circuncisão da mulher. Esta consiste na mutilação genital, na amputação do clítoris e dos lábios vaginais às meninas, geralmente a partir dos cinco anos. (...)
Cientistas avaliam em cerca de 10 a 25% as meninas que morrem em consequência desta operação sem higiene que é efectuada com uma navalha ou caco. Os peritos avaliam em 130 milhões o número de mulheres mutiladas. Assim se elimina o prazer sexual das mulheres. É o mesmo que cortar a glande, o pénis ao homem. É uma tortura e um abuso sexual, a repressão da mulher e da sua sexualidade. Os homens ao roubarem o prazer sexual à mulher reduzem-na à função reprodutora.(...)
Apesar das Nações Unidas terem exigido tolerância zero no que respeita a esta prática, continuam a ser vítimas deste costume três milhões de meninas por ano.
Porquê o corte do clítoris? Porque é tradição e os homens o querem. Homens não aceitam casar com uma mulher que ainda tenha o clítoris. Consideram impura quem tenha o clítoris.
Já em 1994 a ONU queria acabar com esta praga em dez anos. Mas nada, a tradição abominável continua na mesma. Umas dão-se em público outras em segredo.
As meninas ou donzelas que não morrem precisam de meses até a ferida cicatrizar. Uma agravante do problema são as dores que acompanham a mulher durante toda a vida e a cicatriz rebenta repetidamente. (...)
Estas práticas constituem um testemunho de pobreza e de indiferença para os países ocidentais. Humanismo compromete. É totalmente incompreensível que estados civilizados onde os direitos humanos são tão apregoados como na Europa e onde há até um certo respeito por animais, se feche os olhos a tal barbaridade e injustiça para com as mulheres. Só resta às mulheres, solidarizem-se já que os homens se escondem por detrás do respeito dos valores culturais. Respeito não, cobardia!”
António Justo
Alemanha

Desculpem-me o alongar deste post mas de facto não consegui ficar indiferente...
Questiono-me:
Será esta uma forma de dar resposta à insegurança masculina?
Será possível permitir-se a prática de um ritual tão descabido e violento?
Um ritual que deixa marcas para toda a vida no corpo e na alma de alguém ...
Para terminar deixo algumas imagens alusivas ao tema.

3 comentários:

  1. Olá Andy de facto a mutilação genital feminina é de uma crueldade terrível, é uma barbaridade que fazem às mulheres.Beijinhos.

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  2. Fizeste muito bem em escrever este post. Possivelmente haverá muitas pessoas que nem sabem que isto existe. Se me permites, deixo aqui uma recomendação de um livro que conta, na primeira pessoa, o que é passar por algo deste género.

    Lágrimas na Areia, de Nura Abdi.

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  3. Promover a divulgação deste tema na Sociedade Ocidental é muito importante. Só podemos questionar/contestar algo se estivermos devidamente informados. O vídeo que apresentas é bastante explícito, assim como o teu texto. Obrigado pelo teu contributo.

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