19.4.09

A lenda a Kantu

Do pouco que leio que é praticamente nada porque o tempo é nenhum e quando acontece, a mente perde-se noutras histórias de vida, o meu olhar desprende-se das letras que desejava atentamente seguir....mas recordo-me de uma lenda que por razão alguma razão me lembrei, de um livro que em tempos li... narrava a história de uma bela mulher índia que nascera numa aldeia montanhosa verdejante, onde o culto pelo místico, pela natureza, pelo oculto era muito acreditado e vivido.
Kantu assim se chamava ela, de olhos e cabelos negros que caiam sobre os ombros, seios suavemente esculpidos, pele morena com um calor proveniente da alma que percorria todo o seu corpo...Kantu amava a natureza e crescera num ambiente calmo, seguro e cheio de afecto.
Numa noite de tempestade foi atingida por um relâmpago, e segundo uma crença antiga na sua aldeia, os homens e mulheres que eram atingidos por um raio, estavam destinados a ser curandeiros.
Não querendo me perder da lenda que contaram a Kantu, apenas me falta dizer que ela nunca esteve disperta para os seus poderes ocultos até a altura em que conhece o seu verdadeiro amor e é apartir daí que toda a história do livro se desenrola.
A lenda:
“No Mercado Central da cidade de Puna trabalhava Mercedes, uma jovem vendedora originária de Putina. O seu negócio ia bem, e tentava poupar todo o dinheiro para regressar à sua terra pacífica e tranquila.
Os dias passavam e Mercedes sentia-se só... certo dia encontra Marciel, um rapaz cheio de bom aspecto e apaixona-se verdadeiramente por ele.
Marciel não trabalhava porque encontrava sempre alguma mulher que o sustentava e Mercedes não era excepção, ajudava-o sempre em tudo o que precisava.
Um dia Marciel diz-lhe que conheceu uma rapariga por quem se apaixonou e que irá casar com ela em breve.
Mercedes sofreu horrores em silêncio e na manhã seguinte recorreu a um curandeiro que a ouviu nas suas preces e este, deu-lhe dois frascos de cores diferentes e explicou-lhe: “...para conseguires que ele a esqueça, tens de lhe dar o conteudo inteiro deste frasco e levá-lo para bem longe daqui. Mas se um dia te cansares dele, dás-lhe de beber do outro frasco e ele despertará como de um sonho e deixar-te-á."
E assim foi, Marciel enfeitiçado faltou ao casamento...
Mercedes e Marciel viveram na companhia um do outro durante vários anos.
Mercedes já não era a jovem e robusta vendedora de outrora , os remorsos tinham-na consumido, transformando-a numa mulher magra, velha e de saúde frágil. Ele também já não era o jovem simpático e elegante de antigamente, tornou-se um velho de cabelos brancos com a fonte sulcada de rugas, olhar ausente e preguiçoso totalmente dominado por Mercedes.
Certo dia Mercedes adoece gravemente e decide libertar Marciel. Pedindo-lhe perdão explica que dentro de um baú se encontrava um líquido que ele deveria beber.
Após a sua morte assim o fez, instantes depois acordou como se de um sonho se tratasse...pela a sua mente passou-lhe tudo quanto se tinha passado e no espelho viu a imagem não de em jovem mas de um homem cansado velho e triste.”

E foi esta a lenda do livro e que faz pensar quanto mais não seja nas possíveis formas de amar...

"A profecia da curandeira"

2 comentários:

neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e...