16.2.09

O conto


Sara, assim se chamava ela, tinha 6 anos quando a conheci...de longos cabelos lisos, cor de mel, olhos de amêndoa e sorriso dourado, assim era ela.
Contou-me que no castelo onde vivia, a sua casa em tons de rosa e flores, havia personagens, todas elas davam cor e vida aos seus dias. Amava e desfrutava cada pedaço do seu castelo. Cantava para perdurar o dia e a noite tardar...e enfeitava o medo da noite com as mais belas estrelas do céu.
Contava que no olhar atento da mãe e na presença atarefada do pai era feliz mas sentia que os dias passavam, e nas palavras trocadas, e nas vivências partilhadas, faltava a pele que tocava, o calor que afagava o medo da noite e o colo que acalmava.
A menina queria tocar... mas não sabia como fazê-lo, como se toca...como fazer entre o tempo que se olha até o momento em que a mão pousa para sentir a pele, o colo que se procura mas não se sabe como dar a perceber.
Então, conta ela... não toquei mas disse com a voz a tremer, pedi, reclamei essa necessidade com os olhos fixos no chão e a voz a sumir.
O pai disse,” Filha, isso não é o mais importante”, a mãe distante sorria...
A menina fugiu cheia de vergonha e a noite enfrentou sozinha, imaginou os lençois um abraço, o calor da lágrima um afago e sonhou...

1 comentário:

neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e...