17.1.09

Pétalas de liberdade



Sigo o rasto de pétalas no chão que me levam até ao passado...
Tive necessidade de me reencontrar num momento da vida em que me tivesse sentido realmente livre... viajei então até ao passado e segui passo a passo as pétalas do meu caminho que me guiavam até esse momento de liberdade.
Percorri um caminho sinuoso mas de certa forma acolhedor , verdejante e cheio de outros tantos caminhos paralelos, possíveis escolhas de vida que contornei ou ignorei.
Encontrei-me com 7 ou talvez 8 anos na casa onde onde vivi até aos meus 12 anos...
Uma casa modesta mas com um quintal que me encantava e que era só meu! Dominava a situação e era ali que me refugiava...tratava e arranjava o quintal à minha maneira...entre vasos de plantas solitárias, uma Figueira, uma Ameixoeira e canteiros carregadinhos de Estrelas do Natal (uma planta de flor vermelha que floresce com mais abundância no Natal), fazia a minha vida...
Varria-o, cuidava das plantas, dando-lhes injecções porque a meu ver estavam doentes, seguia os caracóis e destruia-lhes a casota para ver como eram por dentro, admirava tanto as borboletas que as apanhava para ver bem de perto...
Destruia todo o ecossistema daquele quintal mas em cada manhã tudo renascia e nada falhava, as flores viçosas, as borboletas coloridas e os caracóis como se nada fosse, mantinham o seu caminhar vagaroso. Tudo à minha espera para um novo dia e novas histórias que fantasiava.
E sentada nos muros daquele quintal saboreava o sol e sentia-me totalmente desprendida de preocupações ou pesares. Cantava, dançava, ... era livre, atrevida, curiosa e muito segura de mim própria.
O que é feito dessa miuda? Revejo-a em pensamentos, revejo-a quando escrevo, quando canto, em danças que invento, em gargalhadas, em lágrimas e fúrias, em sonhos, em desejos realizados e outros por realizar.
Esse quintal foi-me retirado abruptamente pelas circunstâncias da vida e tive de encontrar outros “quintais” que me fizessem sentir tão segura quanto aquele.
É inevitável dizer que a vida nos traz muita coisa mas também nos tira...quanto mais não seja, aquela inocência descontraida de viver.
As responsabilidades da vida vão se tornando cada vez mais reais e desde muito cedo as pessoas vão depositando em nós, expectativas, responsabilidades e exigências.
Nós próprios vamos sentindo necessidade de criar algo nosso e passo - a- passo percebemos que a vida não é simples. Aprendemos a lidar com a frustação, a insegurança, a competição, a desilusão, o amor, o ódio, a paixão, a saudade, a perda de liberdade...aquela liberdade.
Para tudo isto há que saber viver... e é o que ainda hoje faço, tento aprender, a saber viver...
E não há culpas, nem minha, nem de outro alguém por sonhos perdidos ou liberdade apreendida...há sim, caminhos escolhidos e opções de vida.
Tenho no entanto um desejo que não quero deixar morrer..., não me perder do que fui, do que sou e do que quero ser.

3 comentários:

  1. Esse é o único desejo que importa, amiga.

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  2. É uma luta ardua de todos os dias, nao sermos conquistados pelo cinzentismo, pela amargura, pela cara sizuda, pela importancia a coisas q nao interessam a ninguem... Mas é uma luta que vale toda a pena :) Keep the child within!
    Belo blog!
    Beijinho :)

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  3. Lita, obg pela tua força sempre presente. Bjinho

    Hélio, obg pelas tuas palavras e pela visita, volta sempre. Bjinho

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