19.10.16

Insónia

É um abismo pesado uma noite de insónia, seja ela de que essência for… revê-se as horas do dia, as palavras ditas, os movimentos do corpo e nada chega ao cerne da questão. Nada justifica e se compadece com o corpo desperto que se agita em sucessivas inspirações e expirações, movimentos de vida.
Nem um passeio por uma paisagem calma, envolta em auras cintilantes, escrevê-la diante dos olhos como papel de música poderia embalar.
Tão parecido com isto só me lembro de passar algumas noites na casa da minha avó, e presenciar de olho bem aberto cada badalada do relógio de parede imponente na parede da sala ao lado. Eram quase gritos da noite a abafar o gemido do chão de madeira. E no mundo de sombras que vivem e se multiplicam no pensamento de criança, não havia sono ou entrega do corpo a qualquer dimensão mais profunda que não fosse a um verdadeiro conto de terror. Nem por momentos a minha avó imaginaria o silencio pesado em que a minha respiração existia e o meu olhar se perdia no escuro, não fosse alguma coisa rara, estranha e ruidosa vir ao meu encontro na calada da noite.
Hoje penso que poderíamos ter aproveitado aquele tempo da noite para acender a média luz e conversar sobre os nossos dias… os seus bordados, a sua coragem, o seu olhar sábio, e contar-me histórias ou coisas simples como as flores e as comidas que fazia. Tenho-lhe tantas saudades, aquele sentimento tão dorido quanto profundo.
E hoje volta-se a não acender a média luz e a não conversar, as pessoas dormem, eu não… acendo esta janela para um frio abstracto e converso comigo e com as minhas coisas. Talvez não se perca totalmente o fio à meada...

11.10.16

"Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança."

Ernest Hemingway

6.9.16

Quando a lua cheia se esconde atrás de uma porta...


memórias...

"A memória organiza-se por caminhos.
Conhecemos as veredas do cérebro que temos de percorrer e nos conduzem às gavetas onde armazenamos imagens, odores, palavras, nomes, emoções, a inocência, pedacinhos do nosso eu e que sempre reabrimos para darmos valor ao passado, ou vida a pessoas que nos ensinaram a percorrer esses caminhos como borboleta a bailar em contraluz..."

Rui Vieira, Quase pescador

Excerto de texto retirado do Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2016, n.1197, 8

"Quase pescador", Rui Vieira

5.8.15

The National - Vanderlyle Crybaby Geeks


"Voar baixo para não esquecer o chão. Voar alto e selvagemente para soltar as minhas grandes asas. Até agora parece-me que eu não voei grande."

Clarice Lispector, Um sopro de vida