25.6.17

Anoitecer

Finalmente a noite... e entre o tanto que se quer dizer e o que morre no cansaço do corpo, fica apenas um fio de voz que se estende num rasgo de loucura, um devaneio doce de saudade.
Há sempre um piano no peito que não morre ao compasso das tempestades que a vida teima em repetir. E há um gesto de inércia preso a cada movimento que vem de dentro...
As miragens dos pássaros são puro poema aos meus olhos, poderia adormecer em tamanha leveza.

16.4.17

amanhecer

Todas as manhãs a mesma sede de respirar o ar da manhã... hoje leve, calmo, doce no peito que arde tempestades. O sol desafia e faz promessas que tocam a pele em silêncio. Dava tudo para hoje ser um dia diferente ou ser-me diferente nas coisas iguais. Tudo existe perfeito ou não, na combustão do peito. É a arte de viver, e a minha sabedoria vive a léguas dessa paz interior. Fico-me pela janela, pelo perfume da manhã, pelo céu de ontem à tarde, pela música que me mantém viva e iludida que serei um dia borboleta em metamorfose.

Andy
reedição 2014

neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e...